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Fatores de risco para Newcastle são apontados em estudo

Informalidade na criação e ausência de cuidados veterinários estão entre principais causadores

avicultura

As aves de subsistência são potenciais reservatórios de doenças e têm sido objeto de atenção sobre a ótica epidemiológica. A última notificação da Doença de Newcastle no Brasil, registrada em 2006, partiu deste tipo de criação. A ausência de medidas de biosseguridade, nestes casos, torna a ocorrência de patologias mais comum.

A OIE preconiza a análise de risco como ferramenta para avaliar os riscos de introdução e disseminação de agentes patogênicos em uma determinada população, bem como estimar a probabilidade de ocorrência de uma doença.

“Ela é realizada em quatro etapas, sendo a primeira etapa a identificação do perigo, nesse caso o vírus da doença de Newcastle; a avalição do risco; a introdução e a disseminação do vírus; e como vamos lidar com esses fatores avaliados e comunicar com as partes interessadas”, explica o mestre em produção e nutrição animal e diretor do Grupo de Defesa Sanitária Animal (GDSA), Luciano Lagatta.

Pesquisa sobre fatores de risco

Para analisar a propagação, um estudo buscou identificar as possíveis fontes de infecção e as vias de transmissão associadas à introdução e a disseminação do vírus da doença de Newcastle em populações de aves de subsistência, localizadas no entorno de estabelecimentos avícolas de reprodução no Estado de São Paulo. A escolha desses estabelecimentos foi estratégica relacionada a duas grandes empresas que produzem genética de frangos de corte e de postura comercial.

Durante a pesquisa foram identificadas 104 criações de aves de subsistência inseridas no entorno de cinco estabelecimentos avícolas de reprodução, totalizando 2.423 aves. A pesquisa foi realizada entre outubro de 2017 e outubro de 2018, foram visitados 81 criatórios, representando 77,88% dos criatórios identificados, foram inspecionadas 1.530 aves, 63,14% das aves identificadas.

Das 1.530, 30 eram anseriformes, e não entraram no estudo sorológico. A colheita de amostras ocorreu em 36 criatórios representando 93,8%, sendo que cinco não permitiram a colheita de amostras por questões particulares. Foram colhidas 533 amostras, representando 24% das aves que estavam cadastradas. 53% dos criatórios apresentaram aves positivas, sendo 86 aves.

Para o estudo se optou pelo uso de um instrumento de coleta de dados, bem como a colheita de soro e de suabes de traqueia e cloaca para exames complementares. E, também, foi elaborado um questionário com premissas classificadas como positivas e negativas, para avaliar os fatores de risco relacionados à introdução e à disseminação de doenças nessas populações.

Com o uso do questionário, atrelado ao resultado da sorologia, foi possível identificar seis premissas como sendo os principais fatores de risco nos criatórios com resultado sorológico positivo.

Fatores de risco para a doença de Newcastle

O grande destaque é o contato com aves de vida livra, então, dos 46 criatórios, 39 afirmaram que as aves de criação têm contato contínuo com aves de vida livre. “Neste caso, o fator a ser trabalhado é evitar que as aves de vida livre tenham contato com a criação”, explica o coordenador.

Em segundo lugar foi identificada a ausência de sanitização, que é a limpeza e desinfecção do ambiente. Também chama atenção a falta de assistência veterinária, que auxiliaria tanto em questões preventivas quanto paliativas da infecção.

Outro fator que apareceu em grande proporção, de 74,4%, foi o de vizinhos que alojam aves, além da origem informal das aves de criação. Por último, o descarte inadequado das aves mortas, muitas vezes em lixo doméstico. “Chama a atenção o que ocorre nas cidades, com o lixo sendo colocado de qualquer maneira nas esquinas, facilitando a disseminação das doenças”, alerta.

A seis premissas apontadas como principais fatores de risco precisam de maior atenção por parte dos criatórios e obviamente pelas empresas avícolas. “A prevenção e o controle de doenças nas aves de subsistência no entorno dessas unidades são, sim, de responsabilidade das empresas avícolas, e obviamente do serviço veterinário estadual, que deve investir em ações de monitoramento, comunicação e educação em saúde única. Dessa forma é possível proteger o plantel e garantir as exportações de frango”, finaliza Lagatta.

Podcast da FACTA: confira o podcast do Luciano Lagatta completo em:

Fonte: Facta, adaptado pela equipe feed&food.

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