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Entenda o impacto da Tuberculose Bovina na pecuária mundial

De característica silenciosa, o monitoramento da doença é imprescindível para um rebanho saudável

A tuberculose bovina é uma zoonose infectocontagiosa de evolução lenta, que ocorre principalmente nos países em desenvolvimento. Causada pela bactéria Mycobacterium bovis, a doença é caracterizada pela formação de lesões nodulares denominadas tubérculos, que podem ocorrer em qualquer órgão ou tecido, acometendo principalmente bovinos e bubalinos, mas também pode infectar humanos.

Sua principal forma de disseminação é aerógena, e a via de infecção mais relevante é a respiratória. Uma vez inalada, a bactéria alcança os pulmões onde é atacada por macrófagos alveolares que são células de defesas presentes no local e tentarão boquear a infecção. Caso os macrófagos alveolares não sejam capazes de deter a infecção, inicia-se uma reação de hipersensibilidade tardia que pode, em consequência, determinar necrose tecidual de caseificação com encapsulamento característico. Formam-se os nódulos característicos (tubérculos) da tuberculose. Além da disseminação por via respiratória, o bacilo pode ser eliminado pelas fezes, urina, leite, secreção nasal, secreção vaginal e pelo sêmen.

A manifestação da doença é influenciada pela resposta imune do animal, que pode permanecer assintomático por um longo período, sendo este o principal foco de transmissão em rebanhos. Quando os animais apresentam queda na imunidade é possível observar sintomas característicos principalmente no estágio avançado da doença, como acentuada perda de peso, dificuldade respiratória e tosse seca.

“A tuberculose, por muitas vezes, passa despercebida e é descoberta com achados específicos no abatedouro, ocasionando a condenação total ou parcial das carcaças e comprometendo a comercialização de produtos de origem animal da propriedade de origem dos animais” explica o gerente técnico da unidade de pecuária da Ceva Saúde Animal, Marcos Malacco. Estima-se que as perdas referentes à tuberculose bovina no mundo sejam cerca de U$3 bilhões anuais, incluindo o descarte precoce de animais e a eliminação de animais com alto valor zootécnico.

A doença é de notificação obrigatória e   não possui vacina ou tratamento, sendo a prevenção a chave para o seu controle. No Brasil, o balizador é o Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), que recomenda a realização do teste de tuberculina para diagnóstico da doença.

“O teste tuberculínico consiste na avaliação de uma reação de hipersensibilidade tardia, que ocorre apenas nos animais que já foram expostos à Mycobacterium bovis. Animais que apresentam um primeiro resultado positivo ou inconclusivo são submetidos a novo teste em um intervale entre 60 e 90 dias. Animais com um segundo teste positivo ou inconclusivo são isolados do rebanho, afastados da produção leiteira e destinados ao abate sanitário em local determinado pelo serviço de defesa sanitária animal regional, ou a eutanásia no local de criação, realizada pelo médico-veterinário Oficial do Serviço de Defesa Sanitária Animal da região”, destaca o gerente de linha leite da unidade de pecuária da Ceva Saúde Animal, João Otávio Rodrigues.

De acordo com o profissional, o Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCEBT) através das secretarias estaduais de defesa agropecuária também incentiva a certificação dos rebanhos livres da doença, o que estimula a testagem nas propriedades e traz uma maior segurança para o pecuarista no momento em que ele precisa inserir novos animais no seu plantel ou até mesmo comercializar novilhas. “Alguns estados brasileiros, como São Paulo, por exemplo, vêm se mobilizando para que todas as propriedades de gado de leite que comercializem seus produtos para o consumo humano sejam monitoradas e certificadas como livres da doença”, complementa.

O PNCEBT está em vigor desde janeiro de 2001 e foi revisado em março de 2017. Ele visa, através do controle da Tuberculose e da Brucelose, promover uma pecuária nacional mais competitiva e livre de riscos para o consumidor.

Fonte: A.I, adaptado pela equipe feed&food.

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