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Em tempos de investimentos, lembre-se da credibilidade do agronegócio

É importante escolher um produto adequado ao seu perfil e objetivos

Natália Ponse, da redação

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O ato de investir já não faz mais parte apenas do vocabulário dos agentes financeiros. A democratização da informação ultrapassou os assuntos tratados diariamente nas casas brasileiras e alcançou os índices bancários. Tesouro Direto, LCI, CDB, Fundos de Investimento… Nomes como estes ficaram mais famosos e, com eles, a população viu uma chance de aumentar a sua renda em tempos de instabilidade econômica.

Em economia, investimento significa a aplicação de capital com a expectativa de um benefício no futuro e, para olhar lá na frente, é necessário ter segurança nas decisões do “agora”. Para começar, é indicado definir o que se quer e em quanto tempo. Após, é preciso associar o investimento ao seu objetivo, nomeando-o como algo significativo, que represente claramente o seu objetivo. Em seguida escolha uma corretora ou banco que possa ajudar na análise do tipo ideal de aplicação.

Um investimento em renda fixa que é isento de imposto de renda, galgado em um setor extremamente estável e de credibilidade internacional. Esta é a Letra de Crédito Agropecuário, comumente conhecido como “LCA”. Garantidas por empréstimos concedidos ao setor de agronegócio, uma das vantagens das LCA’s é a cobertura pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que minimiza o risco do investimento. Se a instituição financeira que emitiu o papel não honrar suas dívidas, os valores serão pagos pelo FGC. A proteção é de R$ 250 mil por CPF por instituição financeira (esse valor inclui o que foi investido inicialmente mais os juros).

Outras opções também são voltadas ao agro. A diferença do LCA para os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA’s), por exemplo, é que nestes os riscos são tanto das empresas diretamente ligadas ao agronegócio (por exemplo, uma empresa de papel e celulose) como outras empresas que fazem parte da cadeia de forma indireta (ex. distribuidora de alimentos). “A segurança desse tipo de investimento dependerá do risco de crédito do devedor final e da estrutura do produto. Existem estruturas que contam com garantias de recebíveis, seguros de crédito, cotas de subordinação (prioridade de ordem nos recebimentos para cota sênior) que trazem mais segurança para o investidor”, esclarece o superintendente Executivo da Área de Private Banking do Santander (São Paulo/SP), Gustavo Schwartzmann.

Além da expansão da produção em si, o executivo observa um aumento de financiamento da compra de máquinas e matéria-prima, principalmente na cadeia de grãos. Em todos os casos, ele recomenda, é importante que o investidor escolha um produto adequado ao seu perfil de risco, objetivos e horizonte de investimentos. “Nós, do Santander, temos um processo rigoroso de aprovação de emissões de CRA’s, em que avaliamos com profundidade o risco de crédito das emissões, a estrutura de garantias e o nível de preço adequado. Para determinar a taxa de retorno adequada para cada operação, não consideramos apenas o benefício fiscal do produto, mas também a devida precificação do risco de credito e prêmio de liquidez, assim como o prazo da operação”, conclui o porta-voz do Santander.

Você pode estar se perguntando: mas toda esta credibilidade do setor não é volátil? Episódios como o acontecido em março do ano passado, na Operação Carne Fraca, não podem ameaçar meus investimentos? A resposta é: não necessariamente. “Por tratar-se de um caso de polícia e não de ciência da alimentação, essa questão foi superada. Certamente a confiança dos investidores no Brasil está mais abalada com as notícias de corrupção, de insegurança jurídica e de crise econômica, do que à segurança alimentar. O buraco está mais embaixo”, analisa a Scot Consultoria (Bebedouro/SP).

De acordo com analistas da empresa, nos países onde a produção originada pela cadeia do agronegócio brasileiro é uma ameaça ao agronegócio nativo, e por isso precisa enfrentar fortes lobbies, essa “crise de confiança” será assunto perene, pois o problema não é de quebra de confiança, mas de protecionismo: “Naqueles parceiros comerciais, que precisam e compram os nossos alimentos em função da qualidade, preço, embalagem e outros atributos, a crise de confiança ‘já era’”.

Mas, é claro que quanto maior o mercado atendido, melhor. Quanto mais diversificado, melhor. Quanto mais pagar, melhor. Se contribuir para o escoamento de coprodutos e derivados, melhor também. É preciso não somente informar os compradores externos, mas os internos também, para que fique claro o que fazemos, como fazemos e as condutas e regras que obedecemos. “Dessa maneira ficará mais fácil explicar o que é uma desconformidade e o que é uma barreira comercial”, finalizam os analistas.

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