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Diversificação agrega valor à venda de ovos

Portfólio extenso e Clubes de Assinatura já fazem parte do mercado

Portfólio extenso e Clubes de Assinatura já fazem parte do mercado

Gabriela Salazar, da redação

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Quando pensamos em resultados geralmente atrelamos a números. O hábito de quantificar os ganhos, no entanto, nem sempre é a melhor estratégia. Principalmente quando se trata de estreitar a relação com o cliente. Em um momento em que se fala da transformação do perfil do consumidor, especialmente no que tange os hábitos alimentares, é preciso seguir à risca essa premissa.

Agregar valor ao produto é uma das estratégias essenciais utilizadas na atualidade. A cadeia de proteína animal, a qual falamos diariamente, também tem potencializado suas ações pensando no atual momento. Neste 11 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial (e nacional) do Ovo, a feed&food fala sobre a transformação dessa proteína por meio das estratégias adotadas no setor.

Seis milhões de ovos ao dia e dois bilhões ao ano – os números tornam o Grupo Mantiqueira a maior produtora do alimento na América do Sul. A grandiosidade do Grupo é facilmente notável a partir dos resultados nestes 30 anos da companhia. Apesar da liderança, a empresa aposta na aproximação com o cliente por meio da ampliação do portfólio e da adoção de novas plataformas de vendas.

Em 2018, a companhia foi eleita a marca de ovos preferida do consumidor do Rio de Janeiro. De acordo com o presidente do Grupo, Leandro Pinto, esse reconhecimento veio dos investimentos em estratégias de marketing realizados ao longo de 2017, ano em que a marca se tornou a primeira a anunciar ovos na TV aberta do Brasil.

De olho nas necessidades. Tradicionalmente, os ovos produzidos nas granjas da Mantiqueira são destinas aos varejos em 22 Estados brasileiros. Neste ano, a companhia apostou na consolidação dos seus serviços on-line, passando a falar diretamente com o consumidor final. A plataforma do Clube de Assinatura da marca possibilita que o cliente selecione quais pacotes o atendem melhor e em qual frequência deseja receber o produto em casa.

“Em pesquisas, identificamos uma excelente aceitação do público para esta ideia de receberem os ovos em casa, por isso decidimos oferecer um canal a mais para o consumidor que busca uma solução mais prática para o seu dia a dia, uma vez que ele não vai precisar se preocupar com a falta do produto”, explica o presidente do Grupo.

Além da possibilidade de personalizar seus pedidos on-line e da facilidade de compra, o consumidor também encontra disponível no site da companhia uma variedade de ovos, que vão além dos tradicionais ‘branco’ e ‘caipira’. O trabalho de pesquisa e desenvolvimento do Grupo traz consigo um lema: “não tratamos ovos como commodities”.

Essa premissa, segundo Leandro, é o que faz a marca intensificar essa relação com o cliente, é a partir dai que o Grupo identifica as necessidades do consumidor, que está a cada dia em transformação. O processo convencional de limpeza e seleção é adotado em toda a linha, mas pensando em atender uma nova demanda, a empresa investe em “novos” tipos de ovos. “Queremos valorizar a proteína, que é a mais completa depois do leite materno, sem deixar de ser acessível a todos e versátil para todos os tipos de utilização”, comenta.

Um exemplo, é a linha Jumbo, que a companhia afirma ser até 20% maior que um ovo convencional. Ao visitar o site do Grupo, é possível ainda observar ovos para “linha fitness”, “kit família”, “orgânicos”, entre outros.

Era do veganismo. A abrangência da companhia surpreendeu ao trazer neste ano para sua linha o N.Ovo, um ovo vegano, produzido a base de do amido de ervilha, proteína de ervilha e linhaça dourada. A marca seguiu a tendência do mercado de carnes, em que grandes frigoríficos, como a Marfrig, têm investido nas carnes de laboratório.

Para se chegar no produto exposto no mercado, Leandro relata que foram dois anos de pesquisa para encontrar propriedades que pudessem substituir o ovo tradicional. “Desenvolver versões veganas de alimentos tradicionais já é uma tendência do mercado, e o Grupo Mantiqueira, sempre atento às principais demandas no setor, identificou a oportunidade”, relata.

O produto é um substituto vegetal de ovos para receitas em geral, indicado para veganos, intolerantes ou alérgicos ao alimento e pessoas que estejam buscando reduzir o consumo de produtos de origem animal. O presidente do Grupo explica que o N.Ovo não pode ser usado para fazer um ovo mexido ou omelete, por exemplo, mas que a marca terá uma versão com essa finalidade em breve.

A entrada da companhia no mercado de produtos veganos, oposta ao trabalho da granja, vem de encontro com a demanda do mercado. Apesar da prática vegana crescer 40% ano, segundo o presidente do Grupo, boa parte do consumo é destinado a pessoas não veganas, que associam o veganismo com saudabilidade ou que decidem fazer uma opção mais sustentável de consumo ocasionalmente, além dos intolerantes e alérgicos ao alimento.

Vale investir? O sistema livre de gaiolas, vendidos pelo Grupo como Happy Eggs, é outro exemplo no foco em atender a demanda, sem pensar, necessariamente, somente em números. “Nossos custos de produção são diretamente impactados, para atender às exigências deste sistema e suas certificações, além do investimento em sofisticados galpões com mais metros quadrados, para uma ocupação proporcionalmente menor de aves e dos custos do processo de manejo”, comenta Leandro.

O fator econômico, segundo o presidente, mesmo com sistemas de mecanização, é um desafio ainda no País. O custo no sistema cage free chega a ser 50% mais caro que o sistema tradicional de criação.  Para criar uma galinha em gaiola, Leandro conta que o produtor gasta, em média, R$ 12 por mês. No sistema livre, esse valor pode chegar a cerca de R$ 20.  “Difundir esse mercado depende dos consumidores, mas principalmente da indústria, que é uma fundamental aliada na sedimentação deste modelo”, completa.

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