in ,

Desafios da nutrição na suinocultura moderna

Kariny Fonseca da Silva é Nutricionista Suínos – Vaccinar

Para atender à crescente demanda por alimentos, a produção de suínos tem focado em produzir leitegadas numerosas, fazendo com que o melhoramento genético avance rapidamente. Embora as seleções genéticas para produtividade beneficiem a produção, as matrizes e suas leitegadas são mais exigentes nutricionalmente sendo cada vez mais frequente o elevado número e peso dos leitões nascido por leitegada, caracterizando a hiperprolificidade.  Por isso é fundamental atender as exigências nutricionais para a fase de demanda em que o animal se encontra.

Dieta na gestação

Na fase de gestação nas primeiras 4 semanas a dieta deve ser adequada para maximizar a sobrevivência de embriões de boa viabilidade, no período intermediário da 4ª a 11ª semana o objetivo é voltado para o desenvolvimento da fibra muscular do feto, e ainda recuperar o ganho de peso e condição corporal da matriz, uma vez que a maior parte das fêmeas do plantel vieram de uma lactação anterior, além de manter o desenvolvimento fetal/mamário para a lactação subsequente. Já no terço final da gestação a nutrição visa a demanda para o crescimento fetal e mamário e manter a condição corporal da porca para o parto.

Fase de lactação

Na fase de lactação as matrizes apresentam exigências nutricionais ainda mais altas e aliado a isso são incapazes de ingerir ração o suficiente para satisfazer sua alta necessidade nutricional afetando diretamente o crescimento da glândula mamária, e a produção de leite com uma mobilização excessiva de massa corporal.

Assim nessa fase o objetivo da nutrição é aumentar a produção de leite dessa matriz, expressando seu máximo potencial genético, reduzir a perda de peso da reserva de gordura corporal, melhorar a performance reprodutiva subsequente aumentando a taxa de crescimento dos leitões. Além dos efeitos diretos nas matrizes o baixo desempenho da leitegada está ligado a baixa produção de leite da fêmea, uma vez que são dependentes do leite materno como forma de alimentação na fase lactante.

Fase de creche

Quando os leitões entram na fase de creche após três semanas de idade sofrem com a separação da matriz e da sua leitegada, começam a receber uma dieta estritamente sólida, e passam por toda alteração fisiológica principalmente desenvolvimento e colonização do trato gastrointestinal.

Uma das alternativas utilizadas para contornar esses problemas é dietas de alta digestibilidade, com a utilização de ingredientes nobres, aditivos que estimulam o consumo, e que facilitam a digestão, melhoradores de microbiota intestinal, fazendo uma nutrição de precisão, para que esses animais desenvolvam adequadamente todo seu trato gastrointestinal mantendo desempenho adequado nas fases subsequentes pois o manejo nutricional na fase de creche influencia diretamente a capacidade de desenvolvimento dos suínos na terminação.

Qualidade dos ingredientes

Em função do atendimento das exigências do mercado consumidor atual, e principalmente com a preocupação com a qualidade e o custo das matérias primas é preciso conhecer a fundo os ingredientes e seus fornecedores, pois, um ingrediente de má qualidade gera uma ração de má qualidade, independentemente de outros fatores da produção.

Várias são as razões que influenciam a redução na oferta do milho e do farelo de soja, principais insumos para produção de ração, dentre os quais podemos destacar a grande variação de preços, onde pouca ação pode ser feita, pois são commodities e o preço é regulado pelo mercado. Porém há casos que o custo desses ingredientes se eleva muito, tornando a produção de ração animal muito cara. Assim, muitas fábricas buscam fontes alternativas de alimentos em substituição às tradicionais. Com isso se faz necessário o uso de práticas que auxiliam na melhora da digestibilidade dessas matérias primas alternativas, principalmente nessas fases de produção.

Variedade de produtos

Existem hoje uma gama de produtos que são capazes de auxiliar no melhoramento da digestibilidade do alimento, dentre eles encontramos principalmente, enzimas, adsorventes de micotoxinas, antioxidantes, e na manutenção da saúde fisiológica dos animais como as fibras, ácidos orgânicos, pre e probióticos, simbióticos, que agem diretamente nos mecanismos de defesa da mucosa do intestino, estimulando o sistema imunológico agindo principalmente frente a desafios sanitários. Uma vez que, esses animais passam de baia de 14 leitões e vão para salas de creche que comportam uma média de 50 a 100 animais.

Fase de terminação

Já na fase de terminação o principal objetivo é buscar uma eficiência de alimentação desses animais melhorando a conversão alimentar, utilizando principalmente de ferramentas que permitam que os animais aproveitem melhor o que estão consumindo, uma vez que é a fase em que se tem o maior nível de consumo.

Umas dessas ações é trabalhar com a utilização de enzimas digestíveis na ração para melhorar a eficiência e digestibilidade do alimento. Outra prática bem comum é o processamento térmico que tem como intuito melhorar os ingredientes da dieta para melhor aproveitamento dos animais, pois geralmente esses ingredientes alternativos possuem uma alta concentração de PNA’s e fatores antinutricionais que acabam prejudicando o desempenho do animal.

Estratégias na nutrição

Estabelecer estratégias nutricionais para as diferentes fases de criação na suinocultura é extremamente difícil, uma vez que diversos são os fatores que influenciam diretamente na capacidade produtiva e reprodutiva desses animais. É fundamental conhecer esses fatores os quais são genéticos, ambientais (instalações e clima), sanitários, de manejo e econômicos (oscilações de preços da carne suína, matérias-primas e outros insumos) para se ter uma produção na suinocultura de qualidade e competitiva no mercado.

Autora: Kariny Fonseca da Silva, Nutricionista Suínos – Vaccinar

Embrapa lança novo kit de diagnóstico de tuberculose bovina

Tejon participará da conferência “Entendendo a Amazônia”