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De produtor a gestor de dados: O agronegócio do futuro já começou

A cabeça do novo profissional deverá estar no controle das informações

Luma Bonvino, de São Paulo (SP)

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Produtor, um aviso: prepare-se para repensar seu ambiente de trabalho. Em um futuro próximo sua cabeça terá que ser de gestor de negócios (e dados); suas mãos serão melhores aproveitadas ligadas a um aplicativo do que propriamente na lida, ao lado dos demais colaboradores; e seu escritório fará mais sentido do que um campo aberto ou os galpões. Esse mundo que a princípio pode parecer futurístico já é realidade em outros segmentos de trabalho e vem se aproximando do agribusiness.

Mesmo ainda distante dos números da sociedade urbana e conhecimento de que ainda exista uma exclusão digital rural, continuam os investimentos de tecnologia para o setor – que já mostra evolução sendo que no fim da década de 90, somente 3% dos empresários rurais e produtores acessavam a internet e, dez anos depois, já são 40% deles e, desses, 92% também estão conectados às redes sociais, conforme levantamento da Associação Brasileira de Marketing Rural&Agronegócio (ABMR&A, São Paulo/SP). Tais aportes financeiros na tecnologia para o campo vêm apresentando muito mais que princípios de comodidade e agilidade em afazeres, mas informação que, se bem utilizadas, se transformará em produtividade. E, quando se trata desse conteúdo, não se refere a somente às máximas conhecidas como “saber o custo do seu negócio”; “saber o quanto seu negócio está crescendo”; “saber suas margens e custos fixos”. Obviamente a base permanece essa, entretanto, o agronegócio já vem sendo provocado a ir além e, se ultrapassar certas “barreiras”, o nível de tecnificação trará resultados também no bolso.

Esse tema, por exemplo, foi trabalho na sede de um dos ícones da informação mundial, Google, em São Paulo (SP). Os debates aconteceram no evento denominado AgroFuture – uma reflexão e imersão no agronegócio digital. Temas como o uso de Internet das Coisas, segurança na nuvem e big data foram discutidos, bem como o lançamento de um aplicativo da AgrooTools (São Paulo/SP), o TerrasWeb, uma plataforma web e um aplicativo geomobile, que permitem gerenciar as informações do dia a dia do negócio, capturando dados do campo e agregando forma padronizada em ambiente web, de modo a subsidiar decisões estratégicas e operacionais. “O aplicativo irá funcionar com uma forma de conversão de pontos, o que tornará a ferramenta até mesmo gratuita. Isso irá variar de acordo com o volume e qualidade das informações que venham a ser compartilhadas pelos fazendeiros que a utilizam”, destaca o diretor Comercial e de Inovação da empresa, Breno Felix.

Voltada ao pequeno produtor e com ferramentas como inventário, análise de satélites e cofre digital, a proposta do “waze do agronegócio” quer colocar as fazendas no mapa e mostrar ao produtor como o mundo vê seu negócio.

Ferramentas como essa desenham a sombra do agronegócio on-line. O geoespacial, por exemplo, como cita Ricardo Carvalho, do grupo Monte Alegre, tem grande relevância porque existe dificuldade de trazer especialistas na área da tecnologia da informação para dentro da fazenda. “Quanto mais informação puder ser extraída de forma remota, melhor. Esse fator é essencial para seguir na evolução desse debate”, opina e completa que, se depender do campo, a sistemática deve ser simples, para ser útil.

Para o head Socioambiental do Rabobank, no entanto, o desafio não está na construção dessas tecnologias, mas no modo do resultado. “Ninguém quer saber como o Waze funciona, quer saber a resposta que procura. Serão necessárias tecnologias que não vão necessitar de mão de obra direto no campo, caso contrário, serão menos competitivas. É preciso algo que cuspa informação na hora que precisa, no momento que precisa, com interface compreensível ao produtor”, exclama.

Segundo os especialistas, por esse motivo, a próxima revolução da informação será aliada a gestão, um crescimento substancial não na tecnologia em si, mas na manipulação das variáveis dos conteúdos coletados.

Se antes eram apenas os produtos a preocupação, um novo check list mental deve estar na cabeça dos produtores do futuro: produtos > produtos inteligentes > conexão dos produtos > sistema de produto > sistema de sistema.

Por isso, produtor, um aviso: prepare-se.

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