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Da extração ao cultivo, entenda a importância do Engenheiro de Pesca

Profissão foi criada em 1983 na cidade de Recife (PE) e tem como principal finalidade a gestão dos recursos pesqueiros e aquícolas

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REPRODUÇÃO

Wellington Torres, de casa

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Muito se fala sobre a produção de pescados no Brasil, mas pouco sobre um dos principais pilares desse setor produtivo em robusta ascensão: o Engenheiro de Pesca. Em comemoração ao dia nacional desse profissional, comemorado nesta terça-feira (14), conversamos com a pesquisadora do Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, dra. Paula Maria Gênova de Castro Campanha.

Como explica a profissional, graduada pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e com mestrado e doutorado em Oceanografia Biológica pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, a profissão foi criada em 1983 na cidade de Recife (PE) e tem como principal finalidade a gestão (administração) dos recursos pesqueiros e aquícolas, bem como a produção de alimentos de origem aquática, dos mares, lagos e rios, e o cuidado do beneficiamento até o produto final ao consumidor.

“Para um leigo, diria que trabalhar com Engenharia de Pesca é ter a oportunidade de escolher lidar desde  a construção de embarcações e aparelhos de pesca, até arranjos de uma embarcação, construção de parques aquícolas, preservação e sustentabilidade dos ambientes aquáticos e em toda a cadeia produtiva, como fábrica de rações, logística de distribuição, políticas públicas, secretarias municipais e universidades – estando inserido em todo o contexto dos organismos aquáticos, seja na extração ou no cultivo”, detalha.

Essa amplitude ocorre, segundo ela, pois dentro do contexto da área, não tem como trabalhar com a pesca sem se preocupar com o pescador, meio ambiente, espécies da fauna associadas ao alvo da captura, sustentabilidade dos recursos naturais, qualidade do animal que chega na mesa do consumidor e regiões que sofrem com parte da demanda de esgotos.

 “O mercado de trabalho é o próprio profissional, com diferentes frentes em que ele pode atuar, como supervisão e coordenação técnica, estudo de planejamento e viabilidade econômica, assistência técnica, elaboração de projetos e direção de obras”, destaca, ao lembrar que profissão está ligada ao sistema do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CONFEA – CREA).

No entanto, quando questionada sobre o enxuto conhecimento publico sobre a engenharia, Paula pauta a necessidade de maior divulgação do curso e das áreas de atuação, tanto pelas Universidades, quanto pelas representações da classe, e, também, aponta os questões de conhecimento necessárias para ingressar no setor:

“Para ser um bom engenheiro tem que ter habilidades para resolver problemas, trabalhar com números e cálculos, ser curioso, gostar de desafios, trabalhar em campo com sensibilidade, gostar do meio ambiente e respeitá-lo”, convida os possíveis interessados ao citar que o “futuro da atividade deve estar ligado ao cuidado na hora de se produzir alimento”.

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“Não tem como trabalhar com a pesca sem se preocupar com o pescador […] (Foto: reprodução)

Além de uma simples data

Ao Dia do Engenheiro de Pesca, a mestre chama atenção de todos para que haja um olhar mais atento aos profissionais, pois “o Engenheiro da Pesca é aquele que vai produzir através do extrativismo – preocupado com o estoque pesqueiro, para que este seja explorado dentro da sustentabilidade –, visando a manutenção natural do meio aquático e que seja garantida a produção de proteína por anos, gerando emprego, renda e alimento ao pescador e sua família e a sociedade como um todo”.

Aos colegas de classe, em exclusivo, ela pauta a necessidade de se dedicar com mais afinco aos estudos e questões socioeconômicas advindas da pesca de pequena escala: “A pesca artesanal ou de pequena escala, é uma atividade que emprega predominantemente o trabalho manual autônomo na captura, transformação, distribuição e comercialização de recursos pesqueiros marinhos ou de águas continentais, praticado geralmente por pescadores(as), grupos familiares e/ou organizações localizadas em comunidades litorâneas ou ribeirinhas, desde embarcações com pouca autonomia, com artes e técnicas de pesca de mínima tecnificação”.

“Este tipo de pesca no Brasil produz mais da metade de todo o pescado nacional, portanto, é grande demais para ser ignorada”, finaliza Paula.

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