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Custos no confinamento x produtor: essa relação não precisa ser complicada

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João Paulo Monteiro, de Ribeirão Preto (SP); e Natália Ponse, da redação

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Ao longo do tempo, a conta referente ao lucro do pecuarista mudou. Antes da estabilização da economia brasileira, período inflacionário, havia oscilações desordenadas nos preços das commodities. Agora, com a economia mais estável e a agropecuária brasileira inserida no contexto internacional, se faz necessário repensar certos paradigmas adotados.

Nesse sentido, deve-se refletir sobre o modo em que a propriedade rural tem sido gerenciada. As práticas de gestão devem ser modernas e permitirem a análise da eficiência zootécnica e econômica dos resultados. Os produtores têm sido conduzidos para aumentar os índices produtivos, e isso tem influenciado os agentes da cadeia produtiva a se moldar culturalmente. Inclusive, tem sido introduzido o conceito de propriedade rural como empresa. A opinião é do aluno de pós-graduação do Departamento de Nutrição e Produção Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP, São Paulo/SP), Gustavo Lineu Sartorello.

Para ele, entender o funcionamento da produção pecuária como uma empresa é a garantia, ou melhor, a opção de manter o negócio sustentável economicamente em curto, médio e longo prazo. “O gerenciamento produtivo permite fazer tomada de decisões assertivas, e as melhores definições são tomadas por gestores que conhecem os resultados da atividade e que os conduzem ao mesmo tempo em que estão informados sobre o setor. Por isso, entendo que a excelência na gestão permite minimizar as perdas que, por vezes, é inerente a qualquer atividade comercial”, salienta o profissional, que classifica os custos de um confinamento em cinco categorias:

Custos variáveis. Os custos variáveis são os que mais oneram a atividade de confinamento, conforme explica o pós-graduando. Esses custos são clássicos e conhecidos pela maioria, como exemplo a aquisição de animais, alimentação, manejo sanitário e de identificação, dentre outros, que em geral são 90% do custo total. “No entanto, como as margens estão se estreitando é necessário sair da análise básica e partir para o gerenciamento econômico mais refinado para entendimento de outros itens de custos que, por vezes, não avaliamos tão atentamente”, reforça. Os itens de custos variáveis são aqueles que alteraram conforme a quantidade de animais produzidos.

Custos com depreciação. Outro item de custo que geralmente não se considera adequadamente nas análises são os custos com depreciação. Em nossas análises esse item de custo varia entre 1,1% e 1,6%, para confinamentos grandes e médios, respectivamente. Quando ele não é devidamente considerado, a consequência pode ser a descapitalização e sucateamento dos bens que o produtor possui.

Custos fixos e semifixos. Os fixos são aqueles que não se alteram quando o volume de produção variar, isto é, no curto prazo. Mão de obra, depreciação, manutenção e impostos fixos são exemplos clássicos. Quanto aos semifixos são aqueles itens que geralmente suscitam dúvidas entre os variáveis e fixos. Define-se, conceitualmente, como aqueles que apresentam um custo base (mesmo que a quantidade produzida seja zero), aonde o custo deve aumentar com a maior quantidade produzida do produto, porém em menor proporção quando comparado às alterações no custo variável.  Assim, os itens desse grupo podem ser: energia elétrica, telefonia e serviço de internet, combustíveis, entre outros.

Custos de oportunidade. Este é o segundo grupo de custos que mais onera a atividade, na análise do profissional, que corresponde em média a 4% do custo total. Esse item de custo geralmente não é considerado nas análises mais simples e sem eles pode-se ter outra interpretação dos resultados obtidos. “Em avaliação de saldos econômicos, os resultados positivos garantem lucro e forte crescimento; quando os números são negativos, nem sempre inviabilizam o negócio no curto prazo. Se a receita total garante apenas o pagamento do custo operacional total, o confinador está na situação de lucro operacional, e ainda assim é possível permanecer na atividade”, exemplifica. Os custos de oportunidade incluem os itens de custos citados anteriormente (variáveis, semifixos e fixos).

Mas, a posse das informações, ressalta Sartorello, não é garantia de melhores preços, mas sim, de melhores condições de negociar o seu produto. Quando as margens de lucro se mantêm adequadas à previsão de custos, isso pode auxiliar nas decisões, de modo que o custo realizado não exceda o previsto.

“Desta forma o confinador passa a ter condições de exigir preços justos para garantir a sua rentabilidade, que neste caso é conhecida”, diz.

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