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Credibilidade do Brasil avança fronteiras e atrai interessados em qualidade

Investimento em sanidade e tecnologia transforma visão errônea da produção

Natália Ponse, da redação

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Que a carne é forte (e nem um pouco fraca) já deixou de ser novidade para o setor. Aliás, essa sempre foi a premissa que levou a economia brasileira a novos rumos, atingindo topos de rankings e atraindo a atenção mundial para o alimento produzido em terras verde e amarela. Hoje, alimentos produzidos aqui estão em mesas do mundo inteiro. O Brasil é líder na exportação de carne de frango, produto que chegou a 203 países dos cinco continentes nas últimas quatro décadas, representando US$ 94 bilhões em receitas. Com os suínos estamos na quarta posição, levando 9,3 milhões de toneladas do nosso produto para cerca de 120 países em 40 anos.

Os investimentos em tecnologia são uma constante no setor, informações essas voltadas para a otimização de ganhos produtivos e manutenção do status sanitário, além da preservação da qualidade dos produtos. “Falamos de tecnologias com os mais variados perfis, deste a genética avícola, que no Brasil é de ponta, a tecnificação do manejo nas granjas, a adoção de sistemas focados na otimização de recursos energéticos, softwares voltados ao gerenciamento de qualidade nas plantas, uso de insumos voltados para a produtividade, entre muitos outros”, aponta a entidade, ressaltando em seguida os investimentos em sanidade: “O Brasil nunca registrou casos de Influenza Aviária em seu território.  É livre, também, de Peste Suína Clássica e Diarreia Suína Epidêmica. É um dos países com os melhores padrões sanitários do planeta. Há pelo menos 20 anos não se tem qualquer notícia de aftosa em suínos. Nosso padrão de qualidade é diferenciado no mercado internacional”.

Ainda assim, a avicultura e a suinocultura sofreram um baque significativo após a suspensão temporária das importações por vários mercados em decorrência de informações errôneas divulgadas durante a Operação Carne Fraca. Em março, os embarques de frango para a China, considerado o segundo maior comprador do Brasil, caíram 30%. Restrições também ocorreram por outros players importantes como Hong Kong e Chile, revertendo o cenário positivo do primeiro bimestre do ano. A investigação, legítima e necessária, mirava uma minoria que não representa nem 0,1% dos frigoríficos do País.

As especulações e erros de interpretação causaram confusão aqui e pelo mundo afora, é verdade. Mas, passado o calor do momento, a opinião pública percebeu que eram casos isolados, não um problema generalizado do setor e, com isso, a confiança vai aos poucos se restabelecendo. De acordo com a ABPA, “com o trabalho árduo de diversos atores do setor e a ação ágil, disciplinar e eficaz do Ministério da Agricultura, o nível de exportações já mostra melhoras. Não demorou até que os grandes importadores revisassem suas decisões, liberando novamente as compras de nossa carne. Se nossos concorrentes não tivessem uma situação sanitária problemática, teríamos perdido vários mercados conquistados. Em síntese: o tempo passou, e o caos anunciado pela operação se mostrou irreal”.

A página está sendo virada e o campo mostrou mais uma vez sua força para superar desafios. Além de esperar-se que a Polícia Federal e a Justiça prossigam com as investigações, responsabilizando todos os infratores; há de se orientar o setor a investir em boas informações sobre a proteína brasileira não apenas em época de crise, mas em todos os períodos do ano. O consumidor tem motivos de sobra para ser o principal meio de propagar a boa qualidade da nossa produção. “Os brasileiros, assim como os mercados do exterior, são muito exigentes. Responderemos com um produto cada vez melhor”, finaliza a ABPA.

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