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Cooperativismo pode garantir futuro sustentável

Gabriela Salazar, da redação

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Ao pensar em futuro temos a ideia de continuidade de tudo que é feito hoje. O legado é, então, um espelho, e diante dele muitas características são refletidas. Como a própria lei da física, englobando a cada ação, uma reação. Essas reflexões cabem perfeitamente no âmbito pessoal, mas podem ser ainda mais abrangentes. Afinal, somos seres sociais e encontramos naqueles que partilham ideais em comum a força para nos superarmos e continuarmos, sempre em busca do que é melhor para o todo. E para expandir esse pensamento, proponho um questionamento: o que o grupo ao qual você faz parte tem feito pelo amanhã?

Atuar em busca de um único ideal é o trabalho diário de muitos, mas que por vezes não se dão conta da importância dessa unidade, ou mesmo aos que se atentam a isso, podem deixar falhar o propósito. Unir os dois pontos em prol de um futuro que possa refletir orgulho ao grupo e benfeitorias a todos é o principal ponto que faz o cooperativismo tão pujante no Brasil.

Não é à toa que o agronegócio, setor tão importante não só economicamente, mas também como fonte de suplementação para todos os braços da indústria, mostra um dos maiores índices de cooperados no País. Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o ramo só está atrás do crédito e consumo. Atualmente, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 48% da produção dos campos brasileiros passa por alguma cooperativa.

O setor reúne 1.555 cooperativas, com um total de mais de um milhão de cooperados. Um volume tão grande mostra que o grupo, no qual o trabalhador e empresário do agronegócio está inserido, tem poder de refletir muitas mudanças no futuro. A Aliança Cooperativa Internacional (ACI) mobilizou uma campanha especial para o Dia Internacional do Cooperativismo, comemorado, neste ano, em 07 de Julho. Com o slogan “Sociedades sustentáveis por meio da cooperação”, a aliança levanta em meio a um debate tão frequente, nos tempos atuais, a importância da união em prol deste objetivo maior.

“Por meio do movimento Dia C, as cooperativas reafirmam seu compromisso com a comunidade em ações que ocorrem ao longo do ano, com iniciativas voluntárias, duradouras e transformadoras”, comenta o superintendente do Sistema OCB, Renato Nobile.  Entre essas ações, a aliança propôs um alinhamento a um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) promovidos pela Organização das Nações Unidas (ONU): o consumo sustentável.

Sobre a temática o superintendente expõe a relação desta data com os ideais: “Essas ações, intrínsecas à realidade das cooperativas, desenvolvidas com naturalidade e propriedade, acabam por contribuir para o alcance dos objetivos. Neste caso, a Agenda 2030 da ONU para erradicar a pobreza no mundo. Só no ano passado, o Dia C beneficiou mais de dois milhões de pessoas. Em 2018 e nos próximos anos, essas iniciativas serão expandidas com o objetivo de demonstrar as razões pelas quais as cooperativas são consideradas empresas que aliam desenvolvimento econômico ao social”.

A cultura de cooperar. Com tantos cooperados, a OBC não poderia deixar de ter exemplos que considera como modelo de negócios para a construção do futuro sustentável dentro do setor. Um exemplo é a Cocamar, cooperativa agroindustrial fundada em 1963, em Maringá (PR), que hoje está presente em diversas cidades do País, em sua maioria no Paraná.

A expansão das cooperativas, no entanto, está atrelada a fatores externos. Criar filiais é uma forma de dar continuidade ao ideal central de união promovida pelo trabalho cooperativo, mas toda ampliação se depara com questões pontuais e, no caso específico dessas entidades que trabalham diretamente com pessoas, a cultura é fator determinante para o crescimento.

A visão que o trabalho cooperativo passa também é fundamental para facilitar esse processo. “O cooperativismo é um sistema bastante próspero no Brasil, em seus diferentes ramos. Temos o exemplo das cooperativas agropecuárias, com a expansão dessas corporações para diferentes regiões produtoras do País, e também daquelas que atuam nas áreas de crédito e médica, entre outras”, explica o presidente do Conselho de Administração da Cocamar, Luiz Lourenço.

Como comprovação desta forte influência cultural, o representante da OCB pontua que por conta da imigração europeia na região sul do Brasil, que já convivia com a cultura e o espírito do cooperativismo em seus países de origem, a disseminação e a estruturação deste tipo de trabalho na região possibilitou a consolidação de forma mais rápida. “Podemos dizer esse método já é uma realidade consolidada nesta localidade, tanto que essa região detém excelentes resultados e reúne diversos casos de sucesso, nos quais se espelham cooperativas de todas as partes do País”, afirma Nobile.

“Há, na região da Cocamar, uma grande disparidade no que refere à produtividade das lavouras de soja, por exemplo, o que mostra ser possível evoluir muito”, como pontua Lourenço sobre a produtividade dentro do cooperativismo sustentável. 

Uni-vos. Todos nós, ao fazermos escolhas e optarmos por algo, estamos naturalmente sendo direcionados a ser parte de algo maior. A totalidade, no entanto, vai além das pessoalidades. Em um mundo onde muito se fala sobre empatia, ser empático ao futuro do próximo, que nem ao menos estará aqui quando você se for, parece uma característica sublime e inatingível perante a rotina diária, mas somente a pujança de grupos tão importantes como os do agronegócio podem dar forma à utopia de alcançar tais objetivos em comum.

“A cooperativa é uma empresa formada de gente, cujo principal capital é o humano, com gestão democrática e divisão igualitária. Isso faz com que seu modelo de negócio seja diferente das empresas tradicionais, com perspectivas de longo prazo e preocupação com seus cooperados. Desta forma, as cooperativas são reconhecidas pela ONU como aliadas naturais de quem luta por um mundo mais justo, mais equilibrado. Os valores e princípios do cooperativismo são totalmente convergentes com as estratégias organização”, reflete Nobile.

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