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“Como camaleão”, zootecnista se adapta às necessidades da cadeia de proteína animal

Presidente da Associação Brasileira de Zootecnistas fala sobre a importância do profissional ao setor

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Wellington Torres, de casa

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Produzir e ofertar proteína animal vai muita além da ideia construída ao passar dos tempos, da qual, a facilidade em se ir até as gondolas de um supermercado e selecionar cortes e quantidade reflete no processo de criação, maturação e venda. O que o grande público pode não saber, é que, para manter o padrão de referência do Brasil, se faz necessário seguir à risca diversas questões, como aporte profissional adequado.

Entre esses profissionais que compõem o processo de produção das mais diferentes carnes, estão os zootecnistas. “O Zootecnista é o profissional mais bem preparado para o atuar na nutrição animal em toda e qualquer situação, sejam eles domésticos, silvestres, dos pets, e em qualquer estado de saúde”, explica o zootecnista, com mestrado, doutorado e pós-doutorado na área, Marinaldo Divino Ribeiro.

O também professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Goiás e atual Presidente da Associação Brasileira de Zootecnistas (ABZ), ainda destaca que essa pluralidade característica do profissional da área ocorre “porque em seu processo de formação, ele estuda os alimentos, os nutrientes, as exigências animais, as técnicas de alimentação, a fisiologia e o metabolismo”.

“Além disso, ele tem a capacidade de integrar o conhecimento da nutrição com o fator econômico da atividade, para que ela seja feita com equilíbrio entre o desejável tecnicamente e o possível economicamente de maneira sustentável. Portanto, o zootecnista exerce papel fundamental no mercado de produção de proteína animal pela essência do seu conhecimento, formação e atuação”, ressalta Ribeiro.

Zootecnista
O zootecnista consegue reunir conhecimento técnico com a análise de mercado para os produtos de origem animal, suprindo lacunas com informações qualificadas e projeção de cenários para novos investimentos, afirma o presidente (Foto: reprodução)

E se engana quem pensa que exista uma fórmula de como essa profissão deva trabalhar, principalmente quando falamos de culturas distintas. “Para cada cultura animal se tem especificidades da fisiologia, das características reprodutivas, do melhoramento genético, dos alimentos a serem empregados na alimentação, das práticas de manejo e dos aspectos da sanidade animal”, pontua.

Por isso que, de acordo com ele, ao fazer uma analogia, há zootecnistas atuantes nas diversas áreas de criação e produção. “Como um camaleão que busca se adaptar e dispor sua competência a serviço da produção animal, para que se consiga equacionar a eficiência técnica, a viabilidade econômica, as questões ambientes, de bem-estar animal e da ética nas relações sociais das pessoas envolvidas na atividade produtiva”.

E como nem tudo são flores, como diz o ditado popular, dentro da área também podem ser encontrados alguns entraves, que não estão ligados à graduação. “O gargalo não está na formação do Zootecnista, mas nas barreiras inconstitucionais estabelecidas por diferentes órgãos e instituições por meio de instrumentos normativos como resoluções, portarias, decretos, instruções normativas e leis que limitam sua atuação profissional baseada em suas competências plenas adquiridas no processo de formação em nível de graduação”, informa o zootecnista.

Ser zootecnista na pandemia. Como?

Hoje, um tema que não se pode deixar passar é a pandemia. Há mais de um ano, o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado no Brasil e desde então, todo e qualquer setor luta bravamente para se adaptar às novas necessidades.

Quando questionado se houveram mudanças na zootecnia, Marinaldo afirma que sim, a começar com a mudança do modelo de prestação de serviços. Como explica o profissional, passou a ser incorporado ao setor “às tecnologias de comunicação digitais entre o técnico e produtor, a ampliação da qualificação por meio de eventos remotos, a adoção dos protocolos de saúde recomendados pelas autoridades competentes nas relações interpessoais com os colaboradores e demais pessoas envolvidas na atividade produtiva e o reforço ou adoção de novas práticas sanitárias dentro da porteira, na criação dos animais”.

Para comemorar

Com tanta responsabilidade, comemorar a existência desses profissionais é muito importante. Por isso, o dia 13 de maio é conhecido como Dia Nacional do Zootecnista. Ter essa data, conforme consta na Lei nº: 13,596, de 08 de janeiro de 2018, “é um marco histórico que traz consigo grandes significados”.

 “O de inserir oficialmente no calendário da república um dia dedicado ao profissional e deste modo ter, por parte da união, o reconhecimento do seu valor e de sua contribuição para a nação; o de inserir no imaginário das pessoas e da sociedade a existência desse profissional de relevância para vida, já que é diretamente agente da produção de proteína de origem animal e por consolidar nos profissionais e nos estudantes o sentimento de pertencimento à mundo do trabalho legal de forma reconhecida jurídica e simbolicamente”, conta Marinaldo.

Marinaldo Divino Ribeiro é zootecnista, com mestrado, doutorado e pós-doutorado na área (Foto: reprodução)

E para àqueles que já são parte desse grupo ou que pensam em se tornar, o presidente da ABZ tem apenas um conselho para ofertar: “Acredite na sua competência e na possibilidade de ser feliz como zootecnista, pois você é essencial ao País para promover o desenvolvimento do agronegócio e produzir alimentos seguros”.

(Foto: equipe f&f)

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