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Agronegócio necessita de postura mais profissionalizante e menos paternalista

Em comemoração ao ‘Dia do Trabalhador Rural’, diretor da AGRHO Recursos Humanos pontua mudanças no setor

Wellington Torres, de casa

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Colaboração de Gabriela Salazar

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“Do campo para a mesa”, quantas vezes escutamos isso e nem, ao menos, por conta da comodidade, refletimos sobre quem possibilita essa ação? Acredito eu, se vocês permitem, muitas. Contudo, sempre podemos redirecionar os nossos olhares para as coisas certas e uma data comemorativa pode auxiliar nesse processo.

No dia de hoje, 25 de maio, é comemorado o Dia do Trabalhador e Trabalhadora Rural. A data foi instituída pelo decreto de lei 4.338, de 1º de maio de 1964 e é uma homenagem para pessoas que fazem do campo o seu local de trabalho.  

Para entendermos melhor como se encontra o setor, contatamos o diretor da empresa AGRHO Recursos Humanos, Renato Fazzolari. Segundo o profissional, ao ser questionado sobre a chegada da pandemia e o que isso trouxe de novidades, a visão da sociedade tem mudado e há maior procura pela área.

“Isso já vem ocorrendo há algum tempo, mas a tendência é se intensificar. Me recordo que, nos anos 70 e 80, a imagem do segmento sucroenergético – que é um segmento forte do agronegócio –, era muito precária. Os profissionais, principalmente os mais qualificados, dificilmente se interessavam em querer buscar oportunidades em usinas, mas, com o correr do tempo, o setor foi evoluindo, se modernizando e ganhando respeito da opinião pública”, relembra Fazzolari, complementando que o segmento se tornou o que melhor remunera e se encontra altamente profissionalizado.

“Hoje, o interesse por trabalhar em usina é muito grande. Um exemplo do que já está acontecendo com os demais setores do agronegócio brasileiro. Parece que, finalmente, o Brasil descobriu a força do Agro e a tendência é que cada vez cresça mais”, reforça o profissional.

Perante à rotatividade, uma grande preocupação de todos os segmentos, mas que no campo o assunto pode assustar ainda mais, pauta exige atenção redobrada. Para conseguir reter os colaboradores ligados ao agronegócio, Renato contraponta que “a seleção natural acontece”. “Na medida em que as condições vão melhorando para os empregadores, a preocupação com seu quadro de funcionários deve aumentar e também deve haver uma conscientização de que mudanças estão ocorrendo e irão exigir uma postura mais profissionalizante e menos paternalista”, explica.

De acordo com ele, essa mudança de comportamento não é só para reter os profissionais, mas, também, para atraí-los quando for necessário. “Ter um bom ambiente, dar melhores condições de trabalho, pagar salários e benefícios compatíveis com os cargos, preparar profissionalmente os profissionais através de cursos são ações importantes e que o empregador não esqueça de ele mesmo se manter atualizado”, aconselha, reforçando que “as mudanças estão ocorrendo e deverão se intensificar cada vez mais e mais rápido”.

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A data foi instituída no dia 1º de maio de 1964 (Foto: reprodução)

Por onde começar?

Com o destaque do setor, muitos interessados cogitam a possibilidade de se tornar parte. Mas por onde começar, quais são as vertentes que mais ofertam possibilidades de ingressão? Segundo o diretor da empresa AGRHO Recursos Humanos, “poderíamos ponderar que todos os segmentos do agronegócio estão aquecidos, porém as oportunidades dependem de região para região”.

“Atualmente, o Brasil está expandindo os seus negócios no Agro para outras regiões mais distantes que começam a prosperar, tais como Tocantins, Goiás, Mato Grosso do Sul e outros Estados. No entanto, aconselhamos que os profissionais tenham uma visão mais futurista e se preparem para um futuro próximo: atualmente, o País é segundo maior exportador de grãos do mundo e estima-se que, nos próximos cinco anos, se torne o primeiro”, informa Renato.

O profissional também destaca que, em 2020, a agropecuária brasileira exportou US $ 100,8 bilhões, número 4,1% maior quando comparado com os dados de 2019. “O setor respondeu por quase metade (48%) das exportações totais do País. Além da produção para consumo interno, o Brasil é um dos maiores exportadores dos mais diversos alimentos e também um dos líderes na produção de carnes”.

Para ele, dentro desse cenário, praticamente todos os setores que compõem o agronegócio estarão em expansão, inclusive os setores que fornecem maquinários, matéria-prima, tecnologia e outros recursos. “A tecnologia cada vez mais vai ofertar produtos que substituirão a mão de obra convencional, por isso é bom que as pessoas se preparem profissionalmente e se tornem qualificadas”, avisa.

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Setor se manteve robusto durante a pandemia (Foto: reprodução)

Para sempre uma questão familiar?

Quase sempre, passada de geração em geração, a atividade rural, hoje, possui maior entendimento da importância da mão de obra especializada. Com isso, o profissional volta a destacar alguns pontos para o futuro, principalmente sobre questões que acercam a relação familiar.

“Há um ditado popular que diz ‘Pai rico, filho remediado, neto pobre”. No Agro, claro que existem casos à parte, mas o que se tem observado é que estamos passando rapidamente por três fases. A primeira foi a dos iniciadores, ou seja, pessoas que iniciaram suas atividades agrícolas, os pequenos agricultores que prosperaram e construíram seus negócios com sucesso. A segunda é a que estamos agora, a fase dos continuadores. Normalmente, os filhos ou familiares que se dividem em duas categorias: os que se prepararam e dão continuidade aos negócios, que conseguem manter ou mesmo prosperar e os que não se prepararam e que estão pondo tudo em risco ou vendendo para outros mais capacitados. Aqui entra a seleção natural, da qual os mais capacitados engolem os menos”, análise Renato.

Sobre a terceira fase, ela é sobre a profissionalização das empresas. “Ela fatalmente ocorrerá, por sinal, já está ocorrendo também, é só observar o mercado. É tudo muito rápido e, no futuro, continuarão diferindo das que estamos passando agora. Porém, o mais importante é que as pessoas fiquem atentas ao dinamismo”, pontua.

Renato ainda reitera que dizer quais formações podem dar mais retorno é leviano. “O mercado vai ficar atento aos mais capacitados, preparadores e mais hábeis. Por isso, o que posso sugerir é que cada um procure identificar aquilo que tem mais vocação e que se especialize. Haverá mercado para todos” finaliza o entrevistado.

Confira também a matéria sobre o Dia da União da Cadeia, comemorado no dia 23 de maio (Domingo).

(Equipe f&f)

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