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A união da cadeia brasileira de proteína animal é um caminho sem volta

Produtor é também empreendedor, e precisa conhecer o mercado como um todo

Natália Ponse, da redação

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Uma pesquisa do Instituto Agronômico do Paraná apontou que o caminho para mais segurança na pequena propriedade é a diversificação. Segundo a análise, a diversificação influencia diretamente no lucro, já que a produção de mais um item pode elevar a renda das propriedades rurais em R$ 1.775,54, de acordo com o valor da época em que o trabalho de campo foi realizado, em 2006. Criar novas maneiras de geração de renda também impacta na redução dos riscos e custos que o produtor rural precisa arcar no dia a dia da propriedade.

Essa é uma realidade na produção brasileira de proteína animal. Cada vez mais é possível notar que produtores de suínos também estão criando peixes, aves e ruminantes, entre outras espécies. Indo para outra parte da cadeia, as empresas também vêm investindo em soluções para diversos segmentos. Para aqueles que vão às feiras de negócios de vários setores é comum notar as mesmas marcas atuando em diferentes nichos.

“Quando se fala em união da cadeia, é um caminho sem volta”, analisa o diretor-editor da Ciasulli Editores, responsável pela feed&food, Osvaldo Penha Ciasulli. A história deste profissional se funde com o histórico da causa: após a abordagem sobre a crescente demanda mundial por alimentos e a responsabilidade do Brasil nesta jornada na primeira edição do evento Global Feed&food, realizado pelo Sindirações há aproximadamente 15 anos, o editor (que já havia trabalhado antes em publicações de aves e suínos, individualmente) passou a vislumbrar um tipo de serviço diferente. Sai de foco a segmentação, entra a unificação da produção de proteína animal como um todo.

“Ao criar o projeto editorial da Revista feed&food e conversar com as associações para obter apoio, iniciei um vínculo de parceria. Em troca da divulgação de informação a custo zero, as entidades me disponibilizaram seus mailings e, assim, consegui contato com a cadeia toda”, relembra Ciasulli. 

Com a aprovação do mercado e a publicação dos primeiros números, a relação com as associações foi se fortificando. Parceiro da antiga União Brasileira de Avicultura (Ubabef), o diretor da feed&food iniciou um diálogo com o então presidente da associação e ex-ministro da Agricultura, Francisco Turra, no sentido de que ele pudesse liderar a união da cadeia. Dito e feito: em 24 de março de 2014 a Ubabef se juntou à Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) nascendo assim a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). E esse foi só o começo. Já nascida como a maior entidade representativa do setor de proteína animal do Brasil (eram 132 associados na época), hoje a associação se divide em duas vice-presidências: a de Mercados, com Ricardo Santin; e a de Suínos, comandada por Rui Eduardo Saldanha Vargas.

“Esta é a base da unificação da cadeia produtiva: ganhar força e ampliar a representatividade setorial, buscando sinergias, melhorando a eficiência dos projetos e garantindo mais robustez nas ações”, destaca Ricardo Santin sobre o assunto. De acordo com ele, os frutos de ações feitas de mãos dadas são mais sólidos e maiores, já que esforços conjuntos geram resultados mais efetivos.  “A expertise construída para uma ação ou iniciativa de uma cadeia produtiva agora é feito para duas. Na ABPA, não há mais pleito de um único setor. O que buscamos para uma cadeia produtiva, beneficiará também a outra”, complementa o vice-presidente de Mercados da ABPA.

Na prática, essa missão se pauta em estratégias como as ações “Brazilian Pork” e “Brazilian Chicken”, em que o potencial do produto verde e amarelo é divulgado em feiras internacionais de alimentos. Além disso, dentro do território brasileiro, a associação também optou pela volta de um congresso de avicultura realizado pela antiga Ubabef. Para fomentar a união da cadeia Osvaldo Ciasulli, que já atuou como organizador de eventos, propôs a união do congresso a uma feira de negócios, nascendo assim o já reconhecido Salão Internacional de avicultura e Suinocultura (Siavs).

Mas não pense que esse mote só é discutido em terras brasileiras. Em Atlanta (EUA) a International Producing & Processing Expo (IPPE), um evento tradicional e reconhecido em todo o mundo, que por 40 anos debateu apenas a avicultura, englobou em sua programação das últimas edições todas as proteínas e até indo além, com um congresso simultâneo sobre pet food. “Foi isso que me levou a publicar uma edição internacional toda em inglês no mesmo mês em que é realizada esta feira. Senti a necessidade de mostrar ao mercado internacional as possibilidades de produção e exportação do Brasil. Então a união da cadeia não é uma invenção minha, eu apenas não posso ignorar o que acontece em minha volta e, mais além, no mundo”, pontua Osvaldo Ciasulli.

O vice-presidente Executivo da U.S. Poultry & Egg Association (responsável pela organização da IPPE), Nath Morris, acredita que essa causa é uma resposta às necessidades dos consumidores. “Nós, junto ao Instituto Norte-Americano de Carnes, à Associação Americana da Indústria de Alimentação e demais membros, enxergamos o benefício de combinar três antigas feiras e conferências em um único evento do setor de proteína. Vemos cada vez mais interesse, por parte dos participantes, em várias espécies visando produção e processamento. Então criamos parcerias com universidades de todo o mundo para divulgar também programas educacionais sobre o assunto, expandindo a inclusão de produtos e serviços que são necessários para ajudar os produtores de proteína e os processadores de alimentos para animais, para que tenham sucesso em atender às necessidades e demandas das pessoas na ponta da cadeia”, destaca.

Morris complementa dizendo que, à medida que a demanda por alimentos aumenta, o agronegócio deve contar com inovação e tecnologia para aumentar a produção, minimizando o impacto sobre os recursos naturais necessários para uma produção eficiente. “O agronegócio deve adaptar-se a essas demandas por meio de melhorias genéticas, eficiências de produção e parcerias com instituições de ensino para recrutar e treinar a próxima geração de cientistas e profissionais que possam enfrentar esses desafios”, finaliza.

Também é essa a opinião de Osvaldo Ciasulli e, para ele, o Brasil já está bem à frente nessa missão. É de reconhecimento mundial nossa aptidão para a produção de alimentos: somos o maior exportador de carne bovina e de frango, vice-líder em soja e milho e quarto lugar nos embarques de carne suína. Além disso, nossa agricultura/agropecuária é permeada de soluções tecnológicas (existem até máquinas dirigidas por satélite e correções de solo por meio da tecnologia), auxiliadas por um clima único e terras férteis.

“É preciso que o cidadão urbano perceba nossa vocação para a produção de alimentos e entenda que tudo que o rodeia tem a participação do agro. Essa atividade está no nosso DNA desde a pré-história, quando tínhamos que caçar e plantar para sobreviver, até o trabalho dos imigrantes nas lavouras e produções. Somos fortes não só em carnes e grãos, mas também em vinho, cachaça, chocolate… É necessário olhar para o Brasil como o País do agronegócio, pois é isso que somos”, finaliza o diretor-editor que completa, neste dia 23 de maio, 75 anos na missão de unir cada vez mais o trabalho das milhares de mãos que constroem o agro nacional.  

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