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6,5 milhões de cabeças de gado são avaliadas em estudo de produtividade

Tecnologias nutricionais estão ativas, mas há espaço para aperfeiçoamento

REPRODUÇÃO

Natália Ponse, de Campinas (SP)

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“Se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve”. A frase, de Lewis Carroll, contempla a principal necessidade de qualquer negócio: desenvolvimento constante. A mudança é o processo no qual o caminho para o futuro é trilhado, e ficar parado não é uma opção – não para aqueles que desejam alcançar o sucesso em sua atividade.

A pecuária brasileira não é diferente. Somos o maior rebanho comercial do mundo, os primeiros em exportação de carne bovina e um dos responsáveis por atender a crescente demanda alimentar global, avaliada em 10 bilhões de bocas em 2050. Para poder cumprir esta missão e manter o status verde e amarelo o investimento é fundamental, afinal, produtividade sem destinação de recursos não sai do papel.

Para direcionar de forma certeira a aplicação, a análise dos dados da fazenda deve ser feita de forma completa. Será que o pecuarista brasileiro está atento aos resultados de sua fazenda, tem olhos voltados à tecnologia e está buscando a evolução? Essas perguntas foram respondidas pelo estudo Raio X da Pecuária, divulgado pela DSM|Tortuga (São Paulo/SP) em primeira mão durante a abertura do 3º International Symposium on Vitamins and Technologies (Isvit), realizado em Campinas (SP).

Conduzido pela companhia sobre todos os aspectos que influenciam a atividade no País, o resultado final do estudo foi apresentado pelo diretor de Marketing da DSM, Juliano Sabella Acedo. No processo de levantamento de informações, foram consultadas 3.243 propriedades de corte e leite das principais regiões de concentração de gado no Brasil. “É impossível gerenciar uma fazenda sem fazer a medição dos números. Por isso decidimos, para auxiliar o pecuarista e os consultores, utilizar nossa estrutura enviando gerentes a campo para levantar informações e compartilhá-las, suprindo as necessidades deste trabalhador”, explica.

O estudo foi realizado ao longo de 2017 e atingiu mais de três mil fazendas (80% eram clientes da empresa), totalizando 6,5 milhões de cabeças entre corte e leite. Na análise, temas como suplementação, uso de aditivos, manejo rotacionado de pastagens, reprodução, indicador zootécnico, ferramenta de comercialização e controle financeiro foram questionados aos produtores.

Ao contrário da margem aferida em estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, Rio de Janeiro/RJ), no qual constava apenas 8% de propriedades com área acima de 200 hectares (em se tratando de pecuária de corte), o Raio X da Pecuária focou em propriedades maiores (logo, mais representativas) e que são consequentemente mais abertas ao uso da tecnologia, com capacidade de absorver o trabalho de um consultor.

O estudo “Raio X da Pecuária” está disponível para consulta geral. É possível filtrar estes e outros dados mais detalhados por Estado, categoria e tipo de animal. “Também convido àqueles que queiram participar da nova pesquisa deste ano, que puderem ajudar a fornecer os dados para poder realizar comparações dentro de sua região. Será um prazer receber as informações e devolver mais dados”, finaliza Juliano Sabella Acedo. Veja os resultados de 2017 a seguir.

Todos os Estados brasileiros foram contemplados. No entanto, há uma concentração maior de cabeças de gado no centro-oeste, dado já esperado pelos analistas. No entanto, entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul foram mais de 300 propriedades visitadas. “Quando perguntamos se essas propriedades utilizam suplementação, vimos que praticamente todas a usam, o que é ótimo, mas, temos oportunidade de intensificar”, conta Acedo, complementando que menos da metade utiliza suplementos minerais proteicos energéticos. Com relação aos aditivos, além da monensina, foi possível constatar amplo uso de leveduras, óleos essenciais e virgiamicina, por exemplo.

Quando questionados sobre reprodução, muitos pecuaristas disseram que usam a estação de monta, mas só 10% aplica monta natural o ano todo. “Isso significa que o produtor está olhando para essas tecnologias e está preocupado com a parte reprodutiva”, indica o diretor de Marketing. Dentro dessas propriedades, ainda, há um percentual de fazendas que utilizam reprodução de monta e Inseminação Artificial de Tempo Fixo (IATF), mas que não usam um produto nutricional voltado para reprodução. “Quando comparamos essa informação com a taxa de desmama, vemos que aqueles que se preocupam também com a nutrição registram um percentual 14% superior àqueles que não se atentam a esses cuidados”, complementa Acedo.

Sobre pastagens e manejo, 43% do total declarou que não pratica. Quando questionados sobre por que, já que é uma tecnologia simples e que traz bons resultados, as respostas surpreenderam: “13% diz não perceber vantagens no sistema. Isso nos chamou atenção, ele poderia ter qualquer outro motivo, mas não perceber as vantagens? Vemos claramente que está faltando informação para este produtor”, cita o diretor, complementando que ao declarar falta de estrutura e elevado investimento em cercas, o pecuarista também mostra que não tem informação suficiente sobre o assunto, já que este tipo de investimento “retorna” para ele depois. Sobre o uso de creep feeding, 17% das propriedades declara usar suplemento específico para os bezerros na fase de aleitamento, o que, de acordo com a DSM, é um investimento barato que proporciona peso 8% maior na desmama de machos e 11% maior em fêmeas.

Entre os principais indicadores zootécnicos utilizados pelos pecuaristas, sai na frente “@/animal/ano” (47%), além de “@/ha/ano” (38%), este último um conceito mais moderno, de acordo com Acedo: “Ainda vemos um número grande de oportunidades nesse sentido”. Sobre gestão, 83% afirma fazer controle de custos de receitas, sendo que metade utiliza planilhas, 12% prefere softwares especializados, e quase 40% usa caderneta e extrato de banco para controle financeiro da propriedade. “Estes últimos são controles muito básicos, então vemos uma oportunidade enorme de levar para o produtor ferramentas simples, que possibilitarão maior eficiência do que utilizando o papel”, constata o diretor de Marketing da DSM.

Apesar de se preocupar bastante com preço e mercado, o Raio X da Pecuária constatou que a maioria dos pecuaristas de corte não utiliza nenhuma ferramenta para a comercialização de animais. Logo, conta Juliano Acedo, há a possibilidade de ajudar esse produtor a se proteger e ter informação para não sofrer com as flutuações naturais do setor. “Já esperávamos um resultado como este. Se ele não tem um controle de custo eficiente, como vai saber se o preço de venda está bom?”, afirma o executivo.

Dentre os principais desafios a serem enfrentados pelo setor de corte citados pelos entrevistados, duas opções foram destacadas pelo diretor de Marketing como oportunidade para os consultores: o custo de produção e a falta de mão de obra capacitada. Essa escolha se deve em razão de poder ajudar o produtor a calcular seu custo e começar a gerenciá-los, ajudando também na capacitação dos funcionários, mostrando a ele que este é um caminho extremamente importante.

Com relação à pecuária leiteira, o estudo constatou que 44% das propriedades produzem de 30 a 60 mil litros por mês. Elas estão mais concentradas em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. A produtividade é dividida em 40% na classificação de produção de 8 a 20 litros/dia, e 50% divididos entre 20 a 25, e 25 a 35 litros/dia. Acedo ainda complementa: “O aumento da produção de leite em litros/vaca/dia, apesar de estar em 22% a mais no uso de óleos essenciais + amilase, não está diretamente relacionado ao uso desses componentes em si, mas, sim, que o produtor com uma produção maior está mais preocupado em usar esses tipos de aditivos”.

Questionados sobre o uso de aditivos, apenas 11% declararam não utilizar. A maioria aplica em lactação e, o restante, em recria e pré-parto, com números significativos. “Entre os aditivos utilizados, assim como na pecuária de corte, o uso de monensina é o grande destaque, seguido por óleos essenciais e leveduras ativas”, diz o diretor. O indicador zootécnico mais utilizado, largamente, é o “litro de leite/vaca/mês”. O principal indicador econômico é “R$/vaca/mês”, em 40% da preferência.

Na parte de gerenciamento, 87% afirma fazer controle de receitas e os percentuais são muito parecidos com os da pecuária de corte, com proporções que praticamente se mantém. Logo, conta Acedo, também é uma oportunidade enorme para levar esses conceitos ao produtor e fazer com que ele tenha a sua atividade mais controlada.

Questionados com relação aos desafios para o setor da pecuária leiteira, os produtores brasileiros destacaram também o custo de produção e falta de mão de obra qualificada. “Está na mão dos consultores e empresas ajudar”, desafia o diretor de Marketing da DSM.

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