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Fim do auxílio emergencial pode impactar setor lácteo

Produtores já sentem queda do preço médio pago pelo litro de leite

Dados do Cepea mostram que a média nacional do preço do leite pago ao produtor apresentou uma queda significativa desde outubro de 2020, quando atingiu R$2,16. Atualmente, produtores estão recebendo em média R$2,03 pelo litro do produto. A retração da demanda está entre os fatores que impulsionam este cenário.

O pesquisador da Embrapa Gado de Leite, João César Resende,pontua que o auxílio emergencial, pago aos mais carentes devido à pandemia, foi essencial para manter a demanda aquecida em 2020 e os preços mais elevados para os produtores.” . Após dezembro, com os sinais de redução desta renda por parte do Governo estão forçando para baixo as compras de derivados do leite pela população e dificultando as vendas no varejo”, enfatiza.

Analista da Embrapa Gado de Leite, Denis Rocha, coopera com a fala de Resende: “Ainda que o auxílio emergencial seja retomado pelo governo, o valor deverá ser menor e menos pessoas irão recebê-lo”. Segundo o profissioal, um novo aquecimento de demanda dependerá da retomada econômica. Além da redução de demanda, o que tem preocupado o setor são os custos de produção, que estão em alta. Glauco Carvalho, também pesquisador da instituição, informa que, em relação a 2019, a alta média no custo de produção atingiu 10,7%. Nos últimos dois anos, esse índice chega a 24,6%.

Alta dos insumos. Durante a reunião mensal de conjuntura do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite, realizada na segunda semana de fevereiro, pesquisadores e analistas apontaram que o custo do saco de 60 quilos da mistura milho/soja (70% de milho e 30% de farelo de soja) mais que dobrou em dois anos: em janeiro de 2019, era vendido a R$50,37, chegando a R$ 115,79 no mesmo mês, em 2021.

 “O custo do concentrado acompanha as cotações do milho e da soja nos mercados nacional e internacional. Como os dois estão em elevação e sem sinais de que vão retroceder neste ano, os custos para se produzir o leite nas fazendas vão continuar elevados e penalizando a rentabilidade dos produtores até o final do ano”, diz Resende.

Importação. Os volumes importados de leite continuam em patamares elevados, sendo 82% superior a janeiro de 2020. Na reunião da Câmara Setorial do Leite, ocorrida no dia cinco de fevereiro, a Abraleite e outras lideranças do setor, reivindicaram junto à ministra Tereza Cristina, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, “a suspensão imediata das importações de lácteos da Argentina e do Uruguai, até que os setores produtivos do Brasil e dos países vizinhos estabeleçam tratativas de convivência mútua.” A Abraleite sugere tributar os lácteos importados, da mesma forma que o açúcar brasileiro é tributado para ser vendido nos países do Mercosul. Em 2020, o Brasil importou 1,35 bilhão de litros equivalentes de leite e exportou 101 milhões de litros equivalentes.

Auxílio do tempo.  A notícia positiva para o setor vem do clima. A crise hídrica, que atrasou o início da safra em outubro, não deve ser uma preocupação para os próximos meses. Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Ricardo Guimarães de Andrade, a previsão para o trimestre FMA (projeções CPTEC-INPE/INMET), numa escala macro, é de precipitação acumulada próxima da média em boa parte das bacias leiteiras nos territórios de Minas e Goiás. No entanto, volumes acumulados entre a média e um pouco acima da média são esperados para a maior parte dos estados de São Paulo, Santa Catarina e Paraná.

“Embora algumas localidades de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul apresentem chuvas abaixo da média, o armazenamento de água no solo deve ficar acima dos 70%, o suficiente para manter a produtividade média das pastagens, sem comprometer a produção oriunda das principais regiões produtoras de leite, neste e no próximo mês”, diz Andrade.

Fonte: Embrapa Gado de Leite, adaptado pela equipe feed&food.

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