12/01/2018 POLÍTICA

Profissionais do agro discutem melhor posicionamento de novo presidente

Em cenário binário, líderes da atividade elegem suas prioridades de gestão

“O problema político do País não é entre esquerda e direita. Existe no momento uma leitura geral conduzindo este tipo de análise. Ou Lula ou Bolsonaro. Porém, na minha opinião, o grande debate é entre uma agenda populista ou reformista. Esse é o marco que separará os mercados no próximo ano”, argumenta e completa: “Esse é o cerne da preocupação dos mercados financeiros. Mesmo se o governo atual prosseguir apenas com a agenda mínima, como prometeu votar, geraria uma economia de R$ 400 bilhões”. Essa análise, de Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro, vem em momento oportuno já que 2018 inicia com o subtítulo de ano eleitoral.

Como tema debatido no Encontro de Analistas da Scot Consultoria (Bebedouro/SP), profissionais se posicionaram sobre o que esperar da governança nacional. Sergio Goldenstein, da Flag Asset Management, pontua: “Se passar alguma coisa ainda neste mandato, seria muito positivo. Mesmo que seja 40% da proposta original”. De acordo com ele, a grande questão não resolvida no País é a fiscal: “Os gastos previdenciários representam 55% do total. E com uma trajetória ascendente. Se isso não for revisto, caminhamos para uma trajetória insustentável para a dívida pública, que trará consequências como a queda da confiança, depreciação do câmbio e recessão”.

Do ponto de vista político e econômico, o Brasil nunca terá um cenário perfeito, acredita Iwan Wedekin, da Wedekin Consultores. “Isso não existe”, ele afirma e continua: “A eleição do Lula em 2002 vacinou o Brasil. Naquela época, por desconfiança do mercado, o câmbio estourou. Agora, nós não temos mais essa surpresa”. Neste sentido, a desgovernança do País afeta a vida das pessoas, porém, em menor escala. “O governo Temer tem a pior avaliação da história e, mesmo assim, a economia dá sinais de recuperação”, explana. Sergio Goldenstein adiciona: “O cenário político afeta muito mais os investimento do que o consumo. Se o empresário não sabe quem será o próximo presidente, é racional que ele postergue esse aporte”.

O ano de 2018 se apresenta como muito favorável ao crescimento econômico, com queda nas taxas de juros e uma recuperação do consumo. “Se houver um alinhamento dos astros, com a eleição de um candidato de centro, podemos ter um ciclo de crescimento muito favorável”, projeta Alexandre Mendonça de Barros. “Caso contrário, voltaremos a viver uma volatilidade muito grande”, alerta.

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A reportagem "Para pensar o amanhã" pode ser lida, na íntegra, em www.revistafeedfood.com.br (Foto: reprodução)

Sergio Goldenstein reforça: “Caso um reformista seja eleito, teremos um ciclo extremamente positivo. Voltaríamos a ser um País muito atrativo para investidores estrangeiros, acelerando o crescimento. Ainda, essa taxa de juros atual, baixa, pode, de fato, se tornar perene, beneficiando os cidadãos brasileiros como um todo”.

Desta forma, uma pergunta fundamental permeia o pensamento de todos do setor: Em quem votar nas próximas eleições? “O agronegócio precisa fazer campanha para os reformistas, liberais e para o desenvolvimento, livre iniciativa e liberdade”, afirma Alcides Torres, o Scot. “Aquele candidato que tiver essas bandeiras deve ter a nossa simpatia”, completa.

O cenário atual, de fato, é totalmente binário e pautado pelos extremos. “Se caminharmos para um destes polos, a sociedade ficará ainda mais polarizada e seria um fator de colapso para o País”, acredita Sergio e sustenta: “O Brasil precisa hoje de um reformista de centro”.

Caso o Lula concorra, o executivo da Flag Asset Management acredita em um discurso do candidato totalmente contra as reformas. “A consequência disso será que a confiança, força motriz da economia, despencaria. Os estrangeiros baterão em retirada e recessão voltaria”, esboça e continua: “E, mesmo que em um segundo momento quisesse voltar atrás, ser um pouco pragmático, não seria como foi em 2002 e 03”. E, sobre o outro extremo, o analista também deixou sua opinião: “Não se iludam. O Bolsonaro é um nacional desenvolvimentista e adepto das políticas do Geisel. É um intolerante, autoritário e um completo despreparado”. Sergio se posicionou contrário a um Estado mínimo, uma das bandeiras levantadas pelo candidato de direita. “O mercado não resolverá todos os males”, ele afirma e prossegue: “O Estado precisa ser menor, mas não mínimo, pois existem áreas como saúde, educação e infraestrutura nas quais o governo deve estar presente”.

Fonte: Redação feed&food.