06/12/2017 EVOLUÇÃO À VISTA

Produtor rural será cada vez mais eficiente na conversão de terras

CNA traça cenário otimista para o agronegócio em 2018

Ao divulgar o balanço de 2017 e as perspectivas do setor para o próximo ano, o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, João Martins, fez previsões otimistas.

Ainda que a colheita de grãos realizada em 2017 (de mais de 238 milhões de toneladas) não se repita em 2018 - já que o montante foi “excepcional”, nas palavras de Martins – o País pode bater no futuro o teto registrado neste ano, pois o produtor rural, com a utilização de tecnologias, produz cada vez mais sem derrubar florestas utilizando áreas degradadas que podem ser convertidas em terras agricultáveis, por exemplo.

“Teremos queda de produção de grãos apenas se levarmos em conta o ano de 2017, que foi espetacular”, explica o líder da CNA. Segundo dados, a estimativa é de que a colheita em 2018 seja de 224 milhões de toneladas, 6% a menos do que a safra registrada neste ano.

Para o presidente da CNA, o produtor rural está cada vez mais eficiente. “Se olhar o histórico de quanto produzíamos por hectare o feijão, o leite, a carne, o milho, vê-se que cada dia mais o produtor está mais competitivo. Ele tem de ganhar por escala, sobre quantas sacas ele vai produzir por hectare”, diz.

João Martins listou algumas prioridades para 2018. Uma delas é trabalhar para fazer do Brasil um grande exportador de produtos lácteos, assim como é um dos grandes fornecedores de carnes. Outra bandeira é aprimorar a defesa sanitária.

cna_balanco 2018_divulgacao

O presidente da CNA citou em coletiva a necessidade de buscar melhorias no financiamento da produção, para que os recursos sejam compatíveis com a realidade da produção, e de instrumentos de gestão de risco, como o seguro rural. “Os países com agricultura moderna precisam do seguro rural”, pontua Martins (Foto: divulgação)

O superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, pontua os desafios dos produtores rurais em relação à baixa nos preços da carne e do leite, mas destaca que para o próximo ano as projeções são animadoras.

“Para o próximo ano esperamos um cenário mais positivo, um retorno do consumo das famílias, além das exportações que estarão mais aquecidas, principalmente nos países asiáticos, com preços da soja e do milho um pouco mais altos também em função do que será consumido na Ásia e nos Estados Unidos para produção de ração animal”, afirma.

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“Mais uma vez o setor ajudou o País a sair da crise e foi essencial para a recuperação do Brasil”, diz Bruno Lucchi (Foto: divulgação)

A agropecuária representou um papel importante para a recuperação da economia em 2017, salienta o diretor da LCA Consultores, Luiz Suzigan. Para o próximo ano, ele avalia que o crescimento da economia brasileira dependerá de fatores como a flexibilização da política monetária, do ambiente político interno e fatores conjunturais externos.

Já na avaliação da superintendente de Relações Internacionais da CNA, Lígia Dutra, 2017 foi um ano positivo no comércio exterior com aumento das exportações e melhor direcionamento nas negociações comerciais com mercados estrangeiros.

Ela afirma que em 2018 a CNA fará esforços para defender cada vez mais a imagem do agronegócio brasileiro no exterior, aumentar a competitividade do setor e irá trabalhar para a abertura de novos mercados, porque, apesar de o Brasil ser o 4º exportador mundial, o País ainda tem pouco acesso a mercados estrangeiros.

“Precisamos diversificar não apenas nossa pauta, mas os destinos de exportação, porque temos sim oportunidades principalmente para produtos de maior valor agregado, em destinos como Indonésia, Vietnã e Tailândia. Temos a produção, mas precisamos ter maior acesso ao mercado estrangeiro, porque isso significa acordos com reduções tarifárias ou de barreiras sanitárias e um potencial de exportação muito maior”, declara.

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Lígia Dutra destaca que para a CNA a prioridade entre os países asiáticos é iniciar a negociação com a Coreia do Sul: “Será um passo importantíssimo para o agronegócio brasileiro. É um mercado que sofremos concorrência forte dos EUA e da Austrália” (Foto: divulgação)

Fonte: CNA, adaptado pela equipe feed&food.