20/11/2020 ARTIGO

O agro ainda pode duplicar sua produção?

José Luiz Tejon é membro do CCAS e colunista da revista feed&food

"O Brasil é maior do que o buraco", assim dizia o jornalista Joelmir Beting. Isso quer dizer que mesmo não fazendo nada e não atrapalhando muito o Brasil vai.

Décio Gazzoni, também membro do Conselho Científico do Agro Sustentável (CCAS), com um currículo admirável, foi chefe de unidades da Embrapa, assessor especial da presidência da República, professor da Unesp, é pesquisador da Embrapa, colocou a mão na massa e iniciou uma visão sobre como podemos dobrar o agro de tamanho.

Suas conclusões iniciais apontam para uma população mundial que vai crescer mais 25% sobre a atual até 2050, uma taxa média potencial de crescimento do PIB do mundo na faixa de 3,3% ao ano. Da mesma forma, teremos no planeta uma luta antidesigualdade crescendo a segurança alimentar, e o Brasil, somente para atender as demandas, precisa crescer mais 40% sobre o que produz hoje até 2028, conforme dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Dessa forma, o professor Décio revela: 1) não fazendo nada e atrapalhando, chegaremos ao dobro do agro brasileiro em 2044; 2) em um cenário pessimista, mas com algum esforço, dobraremos em 2035; 3) com boas probabilidades, realizando governança, podemos dobrar até 2030; 4) cenário otimista com demanda internacional, diversificação de produtos brasileiros e boa administração, dobraremos até 2028.

Gazzoni nos inspira para a realização do planejamento estratégico do agronegócio nacional, desde o "a" do abacate ou "a" das abelhas até o "z" do zebu. E se incluirmos um plano agroindustrial, sem dúvida, criaremos circunstâncias em que dobrar o agro de tamanho, com seu impacto direto em pelo menos 50% de todo PIB do país, passará a ser a única saída para o crescimento digno da nação, não apenas adaptação e acomodação, mas sim superação.

Vale ver toda a magna aula proferida pelo prof. Décio sobre essa matéria incluindo os 13 fatores determinantes: cenários; demanda firme; preços e câmbio favoráveis; oferta sólida; competitividade; atender clientes; tecnologia adequada; sustentabilidade; cortar custos Brasil; criar valor; diversificar; agressividade comercial; marketing e vendas. Aí estão 13, mas com uma ressalva: "dos 13 fatores, dez só dependem de nós, os últimos dez de cima para baixo na lista". Prof. Dr. Décio Gazzoni, que inspire a todos nós e as nossas lideranças e governo urgentemente.

Autor: José Luiz Tejon Megido, mestre em Educação Arte e História da Cultura pelo Mackenzie, doutor em Educação pela UDE/Uruguai e membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS).