05/05/2017 CRESCIMENTO DE 100%

Investimento em nutrição e saúde é essencial para potencializar aquacultura

Especialista aponta ferramentas necessárias para enfrentar desafios

Com previsão crescer mais de 100% até 2025, segundo dados da FAO (2016), o Brasil tem desafios a serem enfrentados para viabilizar a eficiência produtiva aquática. O ajuste preciso da quantidade de nutrientes presentes na dieta e a utilização de suplementos melhoradores de desempenho são ferramentas capazes de tornar o cultivo de organismos aquáticos mais eficiente.  

A análise é feita pelo médico-veterinário e doutor em Nutrição Animal pela Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, Túlio Soares de Brito. De acordo com ele, a alimentação é responsável pela maior parte dos custos em sistemas de cultivo intensivo e semi-intensivo. “A qualidade do ambiente de cultivo é dependente da qualidade do alimento utilizado. Além de atender as exigências para o máximo crescimento, é fundamental que a dieta apresente elevada digestibilidade. O balanceamento da dieta deve ser preciso, visto que para alguns componentes, o excesso é tão prejudicial quanto a escassez”, complementa.

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Utilização de dietas adequadas é uma importante ferramenta para se promover a saúde (Foto: reprodução)

Um dos principais componentes das rações de peixes é a proteína, que representa uma importante parte do custo da dieta e é determinante para o desempenho. Na opinião de Brito, deve apresentar um perfil de aminoácidos adequado para a espécie e fase de cultivo e em quantidade adequada. “A proteína não aproveitada é excretada na água, provocando elevação da concentração de amônia na água, prejudicando a capacidade de suporte, reduzindo a conversão alimentar e elevando a mortalidade, mesmo em condições de intoxicação subclínica”, diz. Desta forma, segundo ele, é fundamental que a quantidade de proteína digestível, e o perfil de aminoácidos, esteja de acordo com a exigência específica para não comprometer o desempenho do sistema.

Focando na produção com sustentabilidade, Brito recomenda a intensificação da utilização de recursos, ou seja, produzir mais com menos, minimizando-se a produção de resíduos. Dessa forma, surge a necessidade de se trabalhar com elevadas densidades de estocagem. “Nestas condições os animais ficam sujeitos a uma condição de stress crônico, que prejudica o desempenho e favorece a ocorrência de doenças. Recentemente tem se observado que a microbiota intestinal apresenta importante função imunoregulatória, que quando bem desenvolvida é capaz de melhorar a resistência frente a desafios e ainda maximizar a retenção de nutrientes”, explica o especialista.

As dietas de organismos aquáticos são normalmente extrusadas, e assim, a adição de bactérias viáveis, conhecidas como probióticos, é um processo de difícil operacionalização. Além da dificuldade de manutenção de sua viabilidade durante o processamento e estocagem, Brito elenca ser igualmente desafiador fazer com que permaneçam aderidas aos pellets para que sejam efetivamente ingeridas pelos animais, visto que são facilmente lixiviadas pela água de cultivo. “Os prebióticos vêm sendo utilizados para superar estas questões, por serem produtos mais estáveis e com o potencial de melhorar a saúde e bem estar do hospedeiro”, diz.

O especialista aponta que a utilização de dietas adequadas é uma importante ferramenta para se promover a saúde, melhorando o desempenho e reduzindo perdas por mortalidade que poderiam ser prevenidas. Os principais componentes, como proteína, devem ser balanceados, para que se promover o máximo crescimento com o mínimo de perdas nitrogenadas no sistema. “Existem atualmente produtos prebióticos no mercado que quando adequadamente utilizados podem determinar índices de desempenho expressivos, mesmo em condições desafiadoras”, afirma e ressalta que estas ferramentas de manejo podem ser decisivas para a rentabilidade da atividade.

Fonte: Túlio Soares de Brito, adaptado pela equipe feed&food.