08/11/2017 NOVA FASE

Especialista indica alternativas que podem reduzir uso de antimicrobianos

Antes de aplicá-las, produtor deve focar em série de medidas

Natália Ponse, de Campinas (SP)

natalia@ciasullieditores.com.br

A resistência aos antimicrobianos é um problema de alcance mundial que afeta tanto a saúde humana como a animal, envolvendo muitos setores e afetando a economia global devido à redução da produtividade e ao aumento nos custos dos tratamentos. É reconhecido que a resistência aos antimicrobianos é resultado de um sistema complexo de fatores interconectados e ainda não há entendimento de como fatores individuais contribuem para este fenômeno.

O tema vem sendo discutido intensamente em diversos fóruns, e na 31ª reunião anual do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA, Campinas/SP) não seria diferente. O Congresso sobre Nutrição de Aves e Suínos deste ano, realizado na Expo Dom Pedro em Campinas, tratou de saúde intestinal e imunidade. Para isso, nada melhor do que levar um especialista no assunto: o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves (Concórdia/SC), Gustavo Lima.

O objetivo da palestra “Como escolher ingredientes funcionais para a saúde intestinal de aves e suínos” foi discutir maneiras de se reduzir o uso de antimicrobianos nas dietas. Foram abordados detalhes de formulação, tipos de ingredientes, mas a ênfase de Lima foram as medidas que devem ser adotadas nas granjas antes mesmo de se modificar as dietas.

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“A biosseguridade, limpeza, desinfecção sanitária e produção em lotes são itens fundamentais, além do cuidado com a cerca da granja, tela, redução da entrada de ratos e moscas”, explica Gustavo Lima (Foto: feed&food)

Na opinião do especialista, o primeiro cuidado é ter uma dieta com ingredientes altamente digestivos. O plasma, por exemplo, além de ser rico em aminoácidos, ainda reduz a proteína bruta. “Também é preciso ter cuidado com o teor de cálcio, para não provocar a elevação do ph intestinal, entre outros minerais que são importantes”, explica.

Uma ferramenta que tem se mostrado bastante promissora no processo de retirada dos antimicrobianos é o óxido de zinco e o sulfato de cobre. São minerais com ação potente, embora seja de conhecimento o seu risco de contaminação das águas.

Na opinião de Gustavo Lima, a informação ainda está muito “a nível técnico”, e o produtor deveria ser melhor informado. “Estamos em uma etapa em que os técnicos estão todos conscientes, e é o momento exato de fazer as coisas acontecerem. Falta uma inter-relação melhor entre o produtor e este profissional para que as decisões sejam tomadas com efetividade”, analisa o pesquisador.

Em sua palestra, Lima ainda mostrou o chamado “Case Embrapa”: uma granja de suínos com manejo diferenciado. Nele, os animais permanecem em família, ou seja, não são separados dos irmãos até a data de abate – tudo isso em um espaço mais amplo do que o comum. Isso, conforme explica o especialista, facilita a implantação de uma dieta melhorada e aperfeiçoa a redução dos antimicrobianos, com a vantagem de aplicar medidas que envolvem o bem-estar animal.

Ouça abaixo Gustavo Lima explicando sobre esta solução voltada à pequenas produções. Você também pode ler sobre o sistema clicando aqui