19/05/2017 DESTAQUE-SE

Mercado de trabalho exige especialização do profissional do agronegócio

Além das opções já consolidadas, ocupações surgem para alcançar novos rumos

Natália Ponse, da redação

natalia@ciasullieditores.com.br

Em outros tempos, conquistar o diploma de uma graduação era a medida certa para conquistar uma longa e sólida carreira de sucesso. Com a alta no número de profissionais no mercado de trabalho e as necessidades que surgiram ao longo dos anos, hoje a necessidade vai além desta certificação e de um segundo idioma: a especialização é medida obrigatória para aqueles que desejam alçar voos longos e arraigados.

No agronegócio não é diferente. Considerado uma das grandes apostas para o Brasil sair do atual cenário econômico instável, o setor necessita de mão de obra qualificada para superar desafios que são tão grandes quanto o próprio tamanho da agropecuária nacional. Levantamentos conduzidos no Brasil pela Embrapa (Brasília/DF) sobre as principais restrições que comprometem o desenvolvimento da cadeia pecuária no Brasil destacam a necessidade de capacitação de produtores, gerentes e qualificação de mão de obra empregada na atividade, além da capacitação dos técnicos que os orientam.

“Estavam saindo das universidades profissionais que não atendiam ao que as companhias demandavam, não estavam prontos para atuar nas fazendas”

De olho nessa crescente tendência, instituições de ensino brasileiras perceberam o potencial da especialização na produção de alimentos e investiram pesado na oferta de cursos que atendessem as necessidades do mercado. A necessidade surgiu, segundo o gerente Nacional de Negócios do Rehagro (Belo Horizonte/MG), André Bruzzi, quando se percebeu que os profissionais do agronegócio (veterinários, zootecnistas e agrônomos) possuíam grande formação técnica, mas pouco conhecimento em temas como gestão econômica; negócio financeiro da propriedade, da empresa, e também conhecimentos técnicos aplicáveis que são demandados hoje no mercado. “Estavam saindo das universidades profissionais que não atendiam ao que as companhias demandavam, não estavam prontos para atuar nas fazendas”, salienta Bruzzi.

Ao todo mais de 13 mil alunos já passaram pelos cursos da Rehagro, que incluem pós-graduações em Gestão no Agronegócio; Produção de Bovinos Leiteiros; Produção de Gado de Corte e a em Produção de Grãos, a unidade também oferece treinamentos para produtores e gerentes de fazendas (Gestão na Pecuária Leiteira, Gestão na Pecuária de Corte, Gestão na Cafeicultura e Gestão na Produção de Grãos).

“O objetivo é capacitar pessoas para atuarem como transformadoras dos sistemas de produção, alavancando a produtividade, ampliando renda e melhorando a qualidade de vida dos envolvidos no setor” descreve o website da instituição. A atuação em pecuária de corte, pecuária leiteira, gestão no agronegócio, agricultura de grãos e outros apoia-se no conhecimento técnico, gerencial e na gestão de pessoas. “Os empresários podem perder dinheiro por falta de gestão no seu negócio e quando o técnico passa a se especializar com treinamento aplicável, onde ele pode aprender com profissionais que já realizaram aquela atividade na prática, já acompanharam erros e acertos, ele pode então ser direcionado ao melhor caminho, consegue ampliar o seu nível de conhecimento técnico de forma a melhorar o resultado produtivo da fazenda, aumentando a lucratividade”, explica o gerente Nacional de Negócios do Rehagro.

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Mercado exige cada vez mais especializações para o trabalho no agronegócio (Foto: divulgação)

O setor responde por cerca de 23% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o que significa a soma de todas as riquezas produzidas no País. Com grandes terras cultiváveis, solos férteis e grande disponibilidade de água, o Brasil se destaca como um dos maiores exportadores de produtos agrícolas e pecuários do mundo. “Todo este cenário é motivador para as pessoas se profissionalizarem, buscarem conhecimento em uma área que está em ascensão”, aconselha a coordenadora Pedagógica dos cursos de Graduação e de Pós-graduação da Faculdade CNA (Brasília/DF), Maria Aparecida Assunção. A faculdade oferece dois cursos de pós-graduação (Gestão Empresarial em Agronegócio e Gestão de Projeto em Agronegócio), com cerca de 90 alunos ao todo. “Os investimentos em pesquisa e inovação têm aumentado e tornado a área cada vez mais exigente em relação aos perfis profissionais para atuar neste segmento”, justifica Assunção.

As novas técnicas de trabalho, mudanças nas legislações, além do avanço das tecnologias, fazem surgir a necessidade da busca pelo “algo a mais”. Com tantas novidades, é natural que também surjam novas ocupações no mercado de trabalho. O coordenador do Pecege e do MBA em Agronegócios USP/Esalq (Piracicaba/SP), Pedro Valentim Marques, que conta com cerca de dois mil alunos matriculados no MBA em Agronegócios, ressalta a grande demanda de profissionais de outros setores que estão entrando para o agronegócio. “O potencial do agronegócio brasileiro tem fomentado oportunidades de carreira”, explica. De acordo com ele, algumas áreas ganharam destaque dentro do setor: logística, financeira (recursos e financiamentos para produtores), exportações (sendo o Brasil uma potência mundial, com destaque para grãos e carnes) e tecnologia (Agricultura de Precisão, Internet das Coisas, Big Data). O Pecege é uma associação que engloba iniciativas para identificar necessidades e apresentar ferramentas e soluções para as grandes áreas que movimentam a economia e a sociedade.

André Bruzzi, do Rehagro, destaca como novidades áreas que englobam demandas por conhecimento de gestão, matemática financeira, marketing, logística dentro do agronegócio e também a necessidade de que os técnicos consigam se comunicar e transmitir esses conhecimentos para que isso seja realmente implementado e funcione. Maria Aparecida Assunção, do CNA, aponta também processamento e beneficiamento, comercialização, assistência técnica às normas sanitárias e ambientais nacionais e internacionais, e também adequação dos processos de produção de alimentos. A FGV também listou em abril deste ano para a Gazeta do Povo, cinco novas áreas para investir na carreira no agronegócio sem medo de errar. Veja a seguir:

“Os investimentos em pesquisa e inovação têm aumentado e tornado a área cada vez mais exigente em relação aos perfis profissionais para atuar neste segmento”, justifica Assunção (Foto: divulgação)