12/05/2017 CRESCIMENTO EXPONENCIAL

Mercado asiático reforça potencial brasileiro na produção de alimentos

Região é caracterizada como um dos principais destinos para exportação

Natália Ponse, da redação

natalia@ciasullieditores.com.br

Há mais de duas décadas as portas do continente asiático se abriram para as exportações brasileiras de carne de frango. Após o início dos negócios com o Japão, a China autorizou a importação desse mesmo produto em 2009, e da carne suína em 2013. O Japão só passou a comprar esta última do Brasil em 2014. Desde então as negociações evoluem em ritmo exponencial, provando o status de referência mundial na produção de alimentos que o “celeiro do mundo” ocupa.

“Nossa produção é capaz de suprir boa parte da demanda asiática e nossos produtos tem excelente aceitação. Nossas empresas trabalham alinhadas com os interesses dos principais mercados compradores”, comemora o vice-presidente de Mercados da ABPA, Ricardo Santin. Um artigo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea, Piracicaba/SP) complementa que a evolução do comércio internacional dos produtos agro nos últimos anos mostra que as vendas cresceram expressivamente para a Ásia. Também houve alta, mas de forma bem mais modesta, das vendas brasileiras para os países da Comunidade Europeia e da América do Sul. Na América do Sul, países importantes como Argentina, Chile e Uruguai reduziram sua participação enquanto destinos das exportações do agronegócio nacional. Já os países da América do Norte, principalmente EUA, aumentaram as compras (em volume), mas tiveram sua participação reduzida, relativamente ao total exportado pelo País.

“O crescimento exponencial da renda na região, somado à industrialização e ao êxodo rural, ampliou a demanda por proteína animal na região"

Para este continente, o País vende especialmente açúcar, produtos florestais, carnes bovinas, de aves e suínos. O grande destaque das negociações com o continente asiático é a China, devido a sua demanda crescente por alimento e o aumento da produtividade brasileira, que automaticamente responde a esta procura. A pauta de compras dos países asiáticos concentra-se nos produtos do complexo da soja: em 2016, 74% (em termos de valor em dólar) de tudo que a China comprou do agronegócio brasileiro foi soja em grão; aves e suínos representam 4,6%, e bovídeos com 5,5% do total.

“Nossa produção é capaz de suprir boa parte da demanda asiática e nossos produtos tem excelente aceitação. Nossas empresas trabalham alinhadas com os interesses dos principais mercados compradores”, complementa o gerente de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ, Uberaba/MG), Mário Karpinskas Júnior. Citando dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec, São Paulo/SP), Karpinskas Júnior destaca que somente em março deste ano Hong Kong foi o país que mais importou, com um total  de  27  mil toneladas e US$ 100 milhões de faturamento, aumento de 16% comparado com o mês  anterior.  A China comprou 19 mil toneladas, gerando US$ 82 milhões de faturamento, 31% a mais do que em fevereiro.

Ricardo Santin também ressalta os negócios com China e Hong Kong, classificando este relacionamento como “antigo e forte”. Entre os acontecimentos que destacaram esta negociação que cruza fronteiras, ele aponta a abertura do setor de ovos para o Japão (2014), a receptividade do mercado de aves para Singapura, Coreia do Sul, Filipinas e outros, além dos conquistados nos últimos dez anos, como Malásia, Myanmar e Vietnã. “Vale lembrar as diversas tentativas de negociações de viabilização das vendas com a Índia, que ainda conta com tarifas proibitivas aos negócios, e o início do Painel contra a Indonésia, que já está em fase final”, complementa o vice-presidente de Mercados da ABPA.

Em 2016 foram enviadas ao continente 301,5 mil toneladas de carne suína, 1,42 milhão de toneladas de carne de frango, já as exportações de carne bovina registraram quase 500 mil toneladas. Neste mercado amplo, um país em ascensão nos negócios brasileiros se destaca: a Coreia do Sul, de acordo com um estudo elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA, Brasília/DF), se mostra como um parceiro estratégico, sendo o 9º destino das exportações do agronegócio brasileiro. Confira no infográfico abaixo os produtos com potencial exportador àquele país:

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O país apresenta grande potencial de mercado para o Brasil (Foto: reprodução)

Diante da nova orientação das negociações de comércio internacional, o artigo do Cepea aponta que o Brasil necessitará alocar maiores esforços também em negociações bilaterais. “É importante identificar oportunidades de crescimento das suas vendas, levando-se em conta tanto a pauta de produtos como as exigências dos parceiros comerciais com quem negociações sejam implementadas”, destaca o texto do centro de estudos. A ABCZ aponta como potencial conquista no continente a venda de genética zebuína para carne e leite, que começa a despertar interesse devido à adaptabilidade ao clima daquela região. “A Indonésia é um dos maiores importadores de gado vivo, chegando a atingir o volume de importação 1,2 milhão de cabeça/ano. Vietnã, Malásia e Tailândia também aparecem como mercados promissores para estes produtos”, salienta Mário Karpinskas Júnior.

Além do potencial de negócios com a Malásia, Ricardo Santin indica a habilitação de novas plantas na China e o intenso trabalho executado pelo governo e pela iniciativa privada, por meio da ABPA, para a ampliação dos negócios com estes grandes mercados. “O crescimento exponencial da renda na região, somado à industrialização e ao êxodo rural, ampliou a demanda por proteína animal na região. Por outro lado, as questões envolvendo a sanidade dos plantéis nos polos produtivos asiáticos foram determinantes para a expansão das vendas do Brasil, que é livre de doenças como a Influenza Aviária”, finaliza.

“Nossa produção é capaz de suprir boa parte da demanda asiática e nossos produtos tem excelente aceitação